22 de julho, 2007 - 18h42 GMT (15h42 Brasília)
A família do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto há exatos dois anos em conseqüência de um engano da polícia londrina, pediu que o novo governo britânico, empossado há três semanas, intervenha para punir os responsáveis pelo incidente.
Neste domingo, após depositar flores na estação de metrô de Stockwell, no sul da capital britânica, um porta-voz da família pediu que a ministra do Interior, Jacqui Smith, se encontre com os parentes do brasileiro.
"Estamos pedindo a Jacqui Smith que se encontre com a família e intervenha neste caso, para assegurar que não apenas a família conheça a verdade sobre as razões por que Jean Charles foi morto, mas que todos os responsáveis paguem por suas ações", disse Asad Rehman, em declarações reproduzidas pela agência Reuters.
"E a família, a campanha não vai parar até sabermos a verdade, e até que a justiça seja feita", ele acrescentou.
Para marcar os dois anos da morte do brasileiro, parentes e amigos do eletricista brasileiro de 27 anos fizeram um silêncio na estação.
Jean Charles foi morto com sete tiros dentro da estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres, porque a polícia o confundiu com um terrorista.
A ação, no dia 22 de julho de 2005, ocorreu duas semanas depois dos atentados que mataram mais de 50 pessoas na capital britânica, e um dia depois que homens-bomba tentaram, sem sucesso, repetir as explosões.
Caso na Justiça
Em junho, a Alta Corte da Grã-Bretanha confirmou que o inquérito sobre a morte de Jean Charles só será conduzido depois que a polícia londrina for julgada por violar regras de segurança e saúde pública ao executar a operação.
A decisão foi criticada pela família, para quem o prolongamento do caso aumenta o sofrimento.
O julgamento da polícia londrina está marcado para começar em outubro.
A Corte acatou a decisão do oficial de Justiça, que havia optado pela tramitação mais lenta por entender que a existência de um inquérito sobre Jean Charles influenciaria o julgamento da polícia.
Mas os magistrados frisaram que o inquérito sobre Jean Charles deve ser realizado independentemente do resultado do julgamento da Polícia.
A decisão de processar apenas a polícia, e não um ou outro policial em particular, foi da Procuradoria-Geral britânica, que a anunciou em julho de 2006.