17 de julho, 2007 - 07h22 GMT (04h22 Brasília)
Autoridades japonesas estão investigando um possível novo vazamento de radiação na usina nuclear de Kashiwazaki, atingida por dois terremotos na segunda-feira, de acordo com a agência de notícias Kyodo.
Os tremores de terra deixaram ao menos nove mortos, e milhares de pessoas tiveram que deixar suas casas.
Vários barris com lixo nuclear com resíduo de baixo nível tombaram durante o terremoto e foram encontrados sem a tampa, afirmou a agência.
Esse tipo de resíduo, normalmente, não requer blindagem durante o manuseio normal, e costuma consistir principalmente de itens como roupas de proteção e material que pode ter entrado em contato com material radioativo.
Especialistas estão investigando para ver se o meio ambiente foi afetado.
Os dois terremotos ocorreram em um intervalo de poucas horas. O primeiro e mais forte causou danos em Kashiwazaki, uma das maiores usinas nucleares do mundo, e causou o vazamento de água com material radioativo de um reator.
O abalo de 6,8 pontos na escala Richter foi registrado na região central do Japão e provocou um incêndio na usina de Kashiwazaki, na costa noroeste do Mar do Japão. O terremoto deixou nove mortos e centenas de feridos.
A Companhia de Energia Elétrica de Tóquio afirmou que a quantidade de material radioativo que vazou foi pequena e não representa risco para o meio ambiente. Os reatores da usina se desligaram automaticamente durante o terremoto.
Horas depois, um segundo terremoto, que atingiu 6,6 pontos na escala Richter, atingiu a costa de Kyoto, no oeste do Japão.
Idosos
Centenas de residências e casas comerciais na região de Niigata foram destruídas, estradas ficaram com rachaduras e vários deslizamentos soterraram ruas nas áreas mais afetadas.
Mais de 800 pessoas teriam ficado feridas, a maioria com ossos quebrados ou cortes causados pelo desabamento de prédios e pela queda de objetos.
"Primeiro, ocorreu um solavanco vertical forte e, então, chacoalhou para os lados por um longo tempo, e eu não conseguia ficar de pé", disse Harumi Mikami, professora em Kashiwazaki, que estava em sua escola durante o terremoto. "Prateleiras altas caíram e as coisas voavam."
Mais de 7 mil pessoas foram retiradas de suas casas porque outros tremores, que ocorrem depois do mais forte, chegaram a 5,8 pontos na escala Richter.
O segundo terremoto, que ocorreu no fundo do mar na costa de Kyoto, não causou danos, mas moradores de Tóquio afirmaram que sentiram os prédios chacoalhando.
Segurança
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, interrompeu uma viagem de campanha eleitoral para visitar Kashiwazaki.
Abe prometeu "todos os esforços para o resgate e também para retomar serviços como fornecimento de gás e eletricidade".
A segurança das instalações nucleares japonesas, que fornecem grande parte da energia para o país, tem sido questionada nos últimos anos devido a uma série de acidentes e problemas.
Terremotos são comuns no Japão, que fica em uma das áreas de maior atividade sísmica do mundo.
Em outubro de 2004, um terremoto com magnitude de 6,8 pontos atingiu Niigata e deixou 65 mortos. Em 1995, um terremoto de magnitude 7,2 matou mais de 6,4 mil pessoas em Kobe.