16 de julho, 2007 - 18h10 GMT (15h10 Brasília)
Dois terremotos atingiram o Japão nesta segunda-feira em um espaço de poucas horas. O primeiro e mais forte danificou uma das maiores usinas nucleares do mundo e causou o vazamento de água com material radioativo de um reator.
O abalo de 6,8 pontos na escala Richter foi registrado na região central do Japão e provocou um incêndio na usina de Kashiwazaki, na costa noroeste do Mar do Japão. O terremoto deixou sete mortos e centenas de feridos.
A Companhia de Energia Elétrica de Tóquio afirmou que a quantidade de material radioativo que vazou foi pequena e não representa risco para o meio ambiente. Os reatores da usina se desligaram automaticamente durante o terremoto.
Horas depois, um segundo terremoto, que atingiu 6,6 pontos na escala Richter, atingiu a costa de Kyoto, no oeste do Japão.
Idosos
As sete mortes ocorreram na cidade de Kashiwazaki. Quatro mulheres e três homens, todos com entre 70 e 80 anos de idade, morreram dos ferimentos causados pelo terremoto.
Centenas de residências e casas comerciais na região de Niigata foram destruídas, estradas ficaram com rachaduras e vários deslizamentos soterraram ruas nas áreas mais afetadas.
Mais de 800 pessoas teriam ficado feridas, a maioria com ossos quebrados ou cortes causados pelo desabamento de prédios e pela queda de objetos.
"Primeiro, ocorreu um solavanco vertical forte e, então, chacoalhou para os lados por um longo tempo, e eu não conseguia ficar de pé", disse Harumi Mikami, professora em Kashiwazaki, que estava em sua escola durante o terremoto. "Prateleiras altas caíram e as coisas voavam."
Mais de 7 mil pessoas foram retiradas de suas casas porque outros tremores, que ocorrem depois do mais forte, chegaram a 5,8 pontos na escala Richter.
O segundo terremoto, que ocorreu no fundo do mar na costa de Kyoto, não causou danos, mas moradores de Tóquio afirmaram que sentiram os prédios chacoalhando.
Segurança
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, interrompeu uma viagem de campanha eleitoral para visitar Kashiwazaki.
Abe prometeu "todos os esforços para o resgate e também para retomar serviços como fornecimento de gás e eletricidade".
A segurança das instalações nucleares japonesas, que fornecem grande parte da energia para o país, tem sido questionada nos últimos anos devido a uma série de acidentes e problemas.
Terremotos são comuns no Japão, que fica em uma das áreas de maior atividade sísmica do mundo.
Em outubro de 2004, um terremoto com magnitude de 6,8 pontos atingiu Niigata e deixou 65 mortos. Em 1995, um terremoto de magnitude 7,2 matou mais de 6,4 mil pessoas em Kobe.