12 de julho, 2007 - 17h19 GMT (14h19 Brasília)
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, afirmou nesta quinta-feira que está "determinado a erradicar o extremismo e o terrorismo" no país.
A afirmação foi feita durante um discurso televisionado, depois que as autoridades anunciaram ter encontrado 75 corpos na Mesquita Vermelha, em Islamabad.
Na manhã de terça-feira, o Exército paquistanês lançou um ataque que duraria 36 horas contra estudantes radicais islâmicos que estavam entrincheirados na mesquita.
Durante meses, os clérigos e estudantes do templo desafiaram as autoridades ao fazer campanha pela adoção da lei islâmica na capital paquistanesa.
Os estudantes também seqüestraram policiais e moradores de Islamabad que consideravam envolvidos em atividades "não-islâmicas".
'Terrorismo'
O general Pervez Musharraf elogiou a ação militar que, nas palavras dele, "livrou a Mesquita Vermelha das mãos de terroristas".
"Infelizmente, tivemos que enfrentar o nosso próprio povo", disse o presidente. "Eles se desviaram do bom caminho e ficaram suscetíveis ao terrorismo."
O líder paquistanês também comentou que o país precisa escolher a que tipo de islamismo vai se alinhar e se vai seguir os "ensinamentos islâmicos que transformaram a madrassa (escola religiosa islâmica) em uma fortaleza de guerra que abrigou terroristas".
"Não vou permitir que nenhuma madrassa seja usada pelo extremismo", disse o presidente.
Na quarta-feira, o vice-líder da rede Al-Qaeda teria lançado um apelo por ataques contra o Paquistão para vingar a operação contra a Mesquita Vermelha de Islamabad.
Em uma gravação de vídeo divulgada por um site islâmico, uma voz que seria de Ayman al-Zawahiri classificou o cerco ao templo de "crime".
Convocação à 'Jihad'
"A sua única salvação é através da jihad (expressão que pode ser entendida como Guerra Santa). Esse crime só pode ser lavado por arrependimento ou sangue", afirmava a voz, sob uma imagem de Zawahiri.
Pelo menos 83 foram mortas na operação paquistanesa. A voz atribuída ao vice-líder da Al-Qaeda disse ainda que se não houver revolta, o presidente Musharraf "vai aniquilá-los".
"Musharraf não vai parar enquanto não acabar com o Islã no Paquistão."
De acordo com a correspondente da BBC em Islamabad, Barbara Plett, a mesquita ainda está isolada e não há um relato independente sobre o que aconteceu lá dentro.
Segundo Plett, nem mesmo o número de mortos foi esclarecido. O Exército diz que o dado só estará disponível depois que acabar a vistoria no local.
A correspondente diz ainda que muitos paquistaneses apoiaram o governo do presidente Pervez Musharraf na decisão de invadir o local, mas que as autoridades temem uma reação de grupos extremistas.
O país está em alerta máximo. Milhares de tropas foram enviadas para a fronteira com o Afeganistão, onde há temores de uma insurgência islâmica.