05 de julho, 2007 - 03h57 GMT (00h57 Brasília)
As forças de segurança do Paquistão realizaram uma série de explosões na madrugada desta quinta-feira (noite de quarta-feira pelo horário de Brasília) na área ao redor da Mesquita Vermelha, na capital do país, Islamabad, onde estudantes islâmicos armados resistem ao cerco de soldados e policiais há mais de 24 horas.
Segundo as autoridades paquistanesas, essas explosões serviram de aviso aos estudantes, e não há registro de que tenham causado vítimas.
Elas foram seguidas de um anúncio feito por alto-falante exigindo novamente a rendição dos que permanecem dentro do complexo que, além da mesquita, inclui dois colégios islâmicos (madrassas), um para homens e outro para mulheres.
Desde o início dos confrontos, na terça-feira, pelo menos 16 pessoas morreram no complexo.
Soldados e policiais que isolam a área desde o amanhecer de quarta-feira exigem a rendição dos estudantes. Repórteres foram retirados do local pela polícia.
Segundo um clérigo entrevistado por um canal privado de televisão e falando em nome dos estudantes, eles não são terroristas e não vão se render.
Na quarta-feira, centenas de estudantes se renderam e puderam deixar a mesquita, depois de serem revistados pela polícia.
Disfarce de mulher
Um dos principais clérigos da mesquita, Maulana Abdul Aziz, foi capturado ao tentar furar o cerco disfarçado de mulher, vestindo uma burqa – um tipo de vestimenta feminina islâmica que cobre dos pés a cabeça.
Um soldado disse à agência de notícias France Presse que "ele (Aziz) era o último de um grupo de sete mulheres, todas vestidas com as mesmas roupas."
"Os nossos homens repararam na aparência incomum dele. O resto das garotas parecia garotas, mas ele era mais alto e barrigudo."
Os confrontos entre estudantes islâmicos e forças de segurança começaram na terça-feira, quando a polícia tentava intensificar o cerco ao complexo, que é considerado um centro de propagação de islamismo radical na cidade.
Durante horas, houve troca de tiros entre os estudantes, policiais e soldados paquistaneses.
Nos últimos meses, os estudantes do complexo de madrassas ligado à Mesquita Vermelha vêm desafiando abertamente as autoridades paquistanesas, fazendo uma campanha em favor da adoção da sharia (lei islâmica).
Eles também são acusados de cometer crimes como a ocupação de prédios públicos e o seqüestro de policiais e de pessoas que os líderes da mesquita dizem que estão envolvidas em atividades imorais, como prostituição.
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, vem sendo criticado por não conseguir controlar as atividades na mesquita.