15 de junho, 2007 - 17h52 GMT (14h52 Brasília)
O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, na sigla em russo) anunciou nesta sexta-feira que vai investigar as operações do serviço secreto britânico no país.
A decisão da FSB, herdeira da extinta KGB, foi tomada com base em declarações feitas no mês passado pelo ex-espião russo Andrei Lugovoi.
Ele acusou um ex-espião que morreu envenenado em Londres, Alexander Litvinenko, e um magnata russo exilado na capital britânica, Boris Berezovsky, de ter ligações com o MI6, a agência de espionagem da Grã-Bretanha.
O governo britânico solicitou à Rússia a extradição de Lugovoi, que é suspeito de envolvimento na morte de Litvinenko, em novembro do ano passado. Lugovoi nega ter culpa no caso.
"Tolice"
Ao fazer as alegações contra Litvinenko e Berezovsky, que levam à teoria de que o MI6 possa ter tido participação na morte do ex-espião, Lugovoi não apresentou nenhuma prova.
Berezovsky, um conhecido opositor de Putin, negou categoricamente qualquer envolvimento com a agência britânica.
Um porta-voz da embaixada da Grã-Bretanha em Moscou disse que o caso Litvinenko é de natureza "criminal, não uma questão de inteligência".
"Um cidadão britânico foi morto em Londres, e cidadãos britânicos e visitantes foram colocados em risco. Nós estamos buscando e esperamos plena cooperação das autoridades russas nos esforços para que o autor do crime seja levado à Justiça", disse.
Pedido "tolo"
Litvinenko morreu aos 43 anos, depois de ter sido envenenado com o elemento radioativo polônio-210. O incidente provocou grande preocupação em Londres, onde locais freqüentados por Litvinenko antes de morrer tiveram que ser testados para detectar a presença de radioatividade.
Antes de morrer, Litvinenko escreveu uma carta culpando o presidente russo, Vladimir Putin, de estar por trás de sua morte. O governo russo sempre negou a alegação.
Nesta quinta-feira, o procurador-geral da Rússia, Yuri Chayka, disse que a extradição de Lugovoi para a Grã-Bretanha está "fora de questão", por violar a Constituição russa. O próprio Putin descreveu o pedido de extradição como "tolo".
A viúva de Litvinenko, Marina, descartou que o serviço secreto britânico tenha tido participação na morte do ex-espião.
Ela disse que o que aconteceu com Litvinenko foi diferente de qualquer coisa que tenha acontecido antes e que, por isso, a Rússia deveria reconsiderar suas leis sobre extradições.