15 de junho, 2007 - 23h50 GMT (20h50 Brasília)
O líder político do Hamas, Khaled Meshaal, exilado na Síria, disse nesta sexta-feira que o grupo vai trabalhar com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, do grupo rival Fatah.
"Ele é um presidente eleito, e nós vamos cooperar com ele pelo bem do interesse nacional", disse Meshaal em uma entrevista em Damasco.
Na quinta-feira, ao fim de seis dias de violentos confrontos entre os dois grupos rivais, Abbas dissolveu o governo de união entre o Hamas e o Fatah, decretou estado de emergência e destituiu o primeiro-ministro Ismail Haniya (que pertence ao Hamas).
Os confrontos dos últimos dias levaram a uma divisão de poder nos territórios palestinos. O Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, depois de ter derrotado os militantes do Fatah. O grupo de Abbas mantém apenas o domínio sobre a Cisjordânia.
Meshaal disse que o Hamas não tinha intenção de tomar Gaza à força, mas não teve alternativa diante da insegurança na região.
O governo de união entre o Hamas e o Fatah havia sido criado três meses atrás para tentar superar o boicote internacional ao Hamas, que controla o Parlamento desde que venceu eleições democráticas no início de 2006.
Desde que venceu as eleições, o Hamas, que não reconhece Israel e se recusa a renunciar à violência, vem sofrendo pressões internacionais. Os Estados Unidos e a União Européia consideram o grupo uma organização terrorista.
No entanto, os confrontos entre os dois grupos se intensificaram na última semana, deixando mais de cem mortos.
Novo premiê
Apesar das declarações de Meshaal, o premiê destituído, Ismail Haniya, rejeitou as medidas de Abbas. Haniya disse que ainda é primeiro-ministro legítimo e que Abbas agiu ilegalmente ao dissolver o governo de união.
Abbas afirmou que iria governar por decreto até a realização de novas eleições.
Nesta sexta-feira, Abbas nomeou o político independente Salam Fayyad, ex-ministro das Finanças e ex-executivo do Banco Mundial, para o cargo de primeiro-ministro.
Fayyad é um nome respeitado internacionalmente. Nos últimos meses, governos estrangeiros preferiram tratar diretamente com ele, em uma tentativa de evitar contatos com o Hamas.
Diversas organizações internacionais manifestaram apoio a Abbas. O grupo de mediadores de paz para o Oriente Médio conhecido como Quarteto (formado por União Européia, ONU, Estados Unidos e Rússia) declarou apoio ao presidente palestino. A União Européia descreveu Abbas como o "legítimo líder palestino".
A ministra do Exterior da Grã-Bretanha, Margaret Beckett, afirmou que seria errado o Hamas se beneficiar do que classificou como "um golpe" em Gaza.
Nesta sexta-feira, a Liga Árabe convocou uma reunião de emergência no Cairo para discutir a crise palestina.
O Egito, um dos principais mediadores, retirou seus enviados de Gaza em protesto contra a tomada de poder por parte do Hamas.
Alan Johnston
Logo depois de ter consolidado seu poder sobre a Faixa de Gaza, o braço militar do Hamas afirmou nesta sexta-feira que enviou uma mensagem aos seqüestradores do jornalista Alan Johnston, correspondente da BBC em Gaza, pedindo a sua libertação imediata.
Em uma coletiva de imprensa em Gaza, um porta-voz do Hamas, Abu Obeideh, afirmou que o grupo não vai permitir que o jornalista continue em cativeiro.
Segundo o porta-voz, Johnston - que foi seqüestrado há três meses - era um "convidado" dos palestinos e deveria ser bem-vindo entre eles.
Obeideh afirmou que "medidas práticas e sérias" estavam sendo tomadas para obter a libertação de Johnston.
Disse ainda que o Hamas vai assegurar que não ocorram novos seqüestros de estrangeiros em Gaza.