12 de junho, 2007 - 14h45 GMT (11h45 Brasília)
O presidente palestino Mahmoud Abbas, do partido moderado Fatah, acusou membros do partido rival, o radical Hamas, de tentar desestabilizar seu governo e tomar o poder na Faixa de Gaza.
Abbas disse que alguns elementos do Hamas estão "planejando um golpe contra as instituições (palestinas) legítimas".
"Alguns líderes políticos e militares do Hamas estão planejando um golpe pensando que serão capazes de controlar a Faixa de Gaza pela força", ele afirmou, em uma declaração divulgada nesta terça-feira.
Desde a segunda-feira, pelo menos 18 pessoas morreram nos confrontos entre os dois grupos rivais.
Abbas se reuniu com líderes do Fatah em seu gabinete, na Cisjordânia, para discutir medidas para controlar a crise.
Cessar-fogo
O presidente palestino pediu um cessar-fogo entre as duas facções palestinas na Faixa de Gaza.
"Em minha capacidade como chefe da Autoridade Palestina e líder supremo de todas as nossas forças de segurança e militares, peço um cessar-fogo imediato e negociações para encerrar toda a violência e todo o confronto", disse Abbas segundo a agência de notícias oficial palestina Wafa.
Entre as opções que serão consideradas está a retirada do Fatah do governo e do Parlamento, segundo o vice-primeiro-ministro Azaam al-Ahmed, do Fatah.
"Estas pessoas (no Hamas) não acreditam em uma parceria", disse ele à agência de notícias Associated Press.
Na manhã de terça-feira, líderes políticos palestinos se transformaram em alvos de ataques.
Morteiros foram disparados contra o escritório de Abbas na Cidade de Gaza. Ele não estava no local no momento do ataque.
Mais cedo, atiradores dispararam uma granada-foguete contra a casa de Ismail Haniya, líder do Hamas, no campo de refugiados de Shati, nos arredores da cidade.
Um porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, disse que a casa foi danificada, mas Haniya e sua família não ficaram feridos.
Acusações
O porta-voz acusou os partidários do Fatah de tentar assassinar o primeiro-ministro.
"O Hamas decidiu punir os que atacaram e os matadores, e não vai relutar em punir todos eles sem piedade. Eles avançaram todos os sinais vermelhos", disse Barhoum.
O grupo Brigada dos Mártires de al-Aqsa, partidário do Fatah, fez uma declaração no rádio acusando o Hamas de estar aliado a Israel - uma acusação que o Hamas também faz contra o Fatah - e disse que iria enfrentar a "agressão sionista do Hamas".
"Passamos para uma fase ofensiva agora. Não é mais autodefesa", disse um porta-voz do grupo à agência de notícias Reuters.