07 de junho, 2007 - 20h21 GMT (17h21 Brasília)
A polícia em Nairóbi, capital do Quênia, matou pelo menos 12 pessoas suspeitas de fazerem parte de uma seita banida em uma operação nesta quinta-feira em uma favela da cidade.
Com as mortes, o número de vítimas fatais em três dias de ofensiva policial contra membros da seita Mungiki na favela Mathare, chega a pelo menos 33.
"Estávamos fazendo detenções e alguns deles vieram atirando. Quando disparamos de volta, 12 foram mortos", disse o comandante da polícia Paul Ruto, à agência de notícias Associated Press.
Na terça-feira, 21 pessoas foram mortas a tiros pela polícia em um tiroteio que ocorreu depois da morte de dois policiais que faziam patrulhas.
A seita dos Mungiki foi proibida em 2002 e alega ter mais de um milhão de membros. Os Mungiki promovem a circuncisão feminina e são acusados de ter degolado mais de uma dezena de pessoas na capital e outras partes do Quênia nos últimos três anos.
Deitados no chão
A correspondente da BBC em Nairóbi Karen Allen disse que viu vários corpos sendo tirados de casas na favela após a operação desta quinta-feira.
Cerca de 40 pessoas - incluindo mulheres e crianças - teriam sido forçadas pela polícia a se deitarem no chão, na lama, enquanto ocorria a batida policial.
Muitos moradores fugiram da favela de Mathare, que tem cerca de 500 mil habitantes e seria um reduto dos Mungiki.
Na semana passada o presidente alertou que as atividades dos Mungiki não seriam mais toleradas e ordenou a instauração de uma política de atirar para matar.
A seita dos Mungiki seria formada por militantes do maior grupo étnico do Quênia, os Kikuyu.
Alguns analistas ligaram a seita a políticos que estaria querendo causar instabilidade e medo antes das eleições de presidenciais e parlamentares de dezembro.