30 de maio, 2007 - 19h15 GMT (16h15 Brasília)
O Tribunal Constitucional da Tailândia baniu nesta quarta-feira da vida política do país, por cinco anos, o primeiro-ministro deposto, Thaksin Shinawatra, e outras 110 autoridades de seu partido.
O tribunal também ordenou a dissolução do partido do ex-premiê, o Thai Rak Thai, acusando a agremiação de violar leis eleitorais.
Segundo a decisão, dois integrantes do partido subornaram partidos menores para influenciar o resultado de uma eleição em abril de 2006. Depois das eleições, Thaksin Shinawatra foi retirado do poder em um golpe militar.
"Todos os executivos do partido Thai Rak Thai, na época que o delito foi cometido, estarão sujeitos ao afastamento. Mesmo se eles renunciarem depois, não poderão escapar da culpa", disse um dos nove juízes envolvidos na decisão.
Antes, a mesma corte decidiu que o mais antigo partido tailandês, o Partido Democrático, é inocente de seis acusações de fraude eleitoral.
Golpe
Os militares da Tailândia tomaram o poder no golpe do dia 19 de setembro para, segundo suas palavras, por um fim à corrupção sistemática do governo de Shinawatra. O premiê renunciou ao cargo de líder de seu partido dias depois do golpe e, atualmente, vive em Londres.
Shinawatra, que chegou ao poder em 2001, foi um líder polêmico.
Apesar de ser extremamente popular junto à população rural, sua fortuna e estilo populista lhe renderam vários inimigos e dividiram o país.
Numa tentativa de diminuir a pressão sobre seu governo, Thaksin convocou eleições antecipadas em abril de 2006, mas a oposição se recusou a tomar parte no pleito e milhões de eleitores protestaram.
As eleições foram declaradas inválidas. O partido do premiê teve 57% dos votos, mas o resultado foi amplamente contestado.
No dia 19 de setembro, soldados invadiram o Palácio de Governo na capital, Bangcoc, e tanques tomaram posições ao redor do prédio aproveitando a ausência do premiê, que estava em Nova York para a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Os líderes do golpe anunciaram que comandantes regionais tomariam conta de áreas fora da capital, Bangcoc.
Em outubro de 2006, os líderes do golpe anunciaram a criação de uma Constituição provisória e apontaram o general Surayud Chulanont para o cargo de primeiro-ministro.
O Exército prometeu realizar eleições até o final deste ano.