http://www.bbcbrasil.com

24 de maio, 2007 - 04h56 GMT (01h56 Brasília)

EUA vão pressionar por novas sanções contra o Irã

O governo americano afirmou nesta quarta-feira que vai pressionar para que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) imponha novas sanções contra o Irã devido a sua recusa em interromper as atividades de enriquecimento de urânio.

"O governo do Irã não está em concordância com as resoluções do Conselho de Segurança. O que nós fizemos até agora não é suficiente. É preciso fazer mais", disse o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Zalmay Khalizad. "Chegou a hora de considerar uma maior pressão..."

As declarações de Khalizad foram feitas depois da divulgação de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) - agência da ONU para assuntos nucleares.

O documento afirma que o Irã segue ignorando as exigências das Nações Unidas e está expandindo suas atividades atômicas, em vez de interrompê-las.

A AIEA também diz que Teerã está bloqueando os esforços da agência para inspeção das atividades nucleares.

Leia mais sobre o relatório a AIEA

A Casa Branca disse que o relatório da AIEA é mais um exemplo da contínua posição de desafio do Irã diante da comunidade internacional.

Reclamação contra Baradei

O diretor da AIEA, Mohamed El Baradei, participa nesta quinta-feira, em Luxemburgo, de uma conferência entre Estados Unidos e Rússia sobre proliferação nuclear.

Ele deverá apelar para que a comunidade internacional impeça que o Irã enriqueça urânio em escala industrial.

Baradei deverá falar o que muitos analistas temem - que o foco em interromper os experimentos com enriquecimento de urânio no Irã foi surpreendido pelos eventos, afirma o correspondente da BBC em Luxemburgo, Jonathan Marcus.

O diretor da AIEA já sugeriu que o Irã possa manter parte de seu programa de enriquecimento de urânio, o que contraria os Estados Unidos e vários países europeus.

Baradei afirmou que o Irã possui "conhecimento sobre como enriquecer" e que o foco da AEIA deveria ser impedir uma produção de escala industrial.

Os Estados Unidos e seus aliados europeus ficaram tão enfurecidos com os comentários de Baradei que deverão fazer uma reclamação formal.

Dificuldades

Segundo o correspondente da BBC, esas diferenças sugerem que Washington talvez tenha dificuldade em persuadir todos os membros do Conselho de Segurança a impor novas sanções contra o Irã.

O Conselho de Segurança da ONU já impôs duas rodadas de sanções contra o Irã por não suspender seu programa de enriquecimento de urânio, em dezembro do ano passado e em março.

O governo iraniano negou que esteja atrapalhando o trabalho da AIEA e disse que vai "continuar cooperando" com a agência.

Depois das sanções de março, o governo de Teerã passou a limitar sua cooperação com a AIEA. Mesmo assim, os inspetores da agência ainda visitam regularmente as instalações atômicas do Irã, dentro do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

Os Estados Unidos acusam o Irã de tentar fabricar armas atômicas. Teerã nega as acusações e diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos, exclusivamente para a produção de energia.

O embaixador britânico na ONU, Emyr Jones Parry, disse que não ficou surpreso com o relatório da AIEA.

"Agora cabe à comunidade internacional decidir como responder a isso", afirmou.

Segundo Jones Parry, a Europa e os membros do Conselho de Segurança ainda esperam que o Irã cumpra o compromisso.