19 de maio, 2007 - 23h17 GMT (20h17 Brasília)
O governo da Etiópia disse que as suas tropas mataram cerca de mil pessoas na capital da Somália, Mogadíscio, durante o conflito em março e abril.
As tropas etíopes foram enviadas ao país vizinho em dezembro para dar apoio ao governo de transição contra os militantes da União das Cortes Islâmicas (UCI).
Os combates na capital foram pesados. Um comunicado do governo da Etiópia informa que 300 dos mortos seriam de uma ala jovem da UCI, conhecida como lutadores de Al-Shabaab.
Centenas de milhares de pessoas fugiram de Mogadíscio e a comunidade internacional condenou o fato de civis serem usados como escudos humanos.
Anarquia
As forças do governo interino da Somália, apoiadas pela Etiópia, expulsaram a UCI de Mogadíscio após a milícia ter controlado a capital por seis meses, entre junho e dezembro de 2006.
A UCI é uma união de 11 tribunais islâmicos financiados por comerciantes e empresários de Mogadíscio preocupados com a crescente anarquia na cidade.
Desde a queda do último governo efetivo da Somália, em 1991, o país vivia sob o regime dos comandantes de guerrilha, que exerciam o poder com base no terror.
Nesse contexto, surge a UCI com o objetivo de restaurar e impor a Sharia – a lei islâmica – como meio de por fim à impunidade e à criminalidade na capital.
A união dos tribunais se tornou poderosa no inicio de 2006, ao derrotar uma associação de comandantes de milícias, a Aliança para a Restauração da Paz e do Contra-terrorismo - que teria sido apoiada pelos Estados Unidos, preocupados com o crescimento da influência da UCI.