15 de maio, 2007 - 21h18 GMT (18h18 Brasília)
Cerca de 500 palestinos leais ao Fatah entraram nesta terça-feira na Faixa de Gaza vindos do Egito, no terceiro dia consecutivo de choques entre militantes do Fatah e do Hamas na região.
Os membros do Fatah que estavam no Egito haviam deixado o território palestino para receber treinamento para trabalhar como policiais.
Um representante do Fatah negou que o retorno deles tenha algo a ver com a onda de violência que começou no domingo e que já deixou pelo menos 20 mortos.
"O papel das forças de segurança é manter a segurança dos palestinos e não participar de conflitos internos", disse Tawfiq Abu Khoussa, porta-voz do Fatah.
A força vinda do Egito deve ficar sob o comando de Muhammad Dahlan, conselheiro de segurança do presidente palestino Mahmoud Abbas, que já pediu publicamente um fim à violência.
No entanto, Katya Adler, correspondente da BBC em Jerusalém, afirma que os últimos desdobramentos na região indicam que há uma escalada do confronto sectário, que pode deixar Gaza à beira de uma guerra civil.
Ataque
Apenas nesta terça-feira, pelo menos 14 pessoas morreram em choques entre simpatizantes do Fatah, do presidente Abbas, e do Hamas, do primeiro-ministro palestino Ismail Haniya.
No pior incidente, oito membros do Fatah foram mortos em uma emboscada perto de um posto de fronteira entre Gaza e Israel.
Um membro da Guarda Presidencial palestina que presenciou o ataque disse à agência de notícias Associated Press que uma base de treinamento da guarda perto do posto foi atacada com foguetes, lança-granadas e tiros de morteiro.
Um porta-voz da Força Paramilitar Executiva do Hamas negou que seus membros tenham se envolvido no ataque.
Nesta terça, representantes do Hamas acusaram o Fatah de matar um de seus líderes, e representantes do Fatah disseram que o Hamas matou um agente de segurança pró-Fatah e feriu três outras pessoas perto da cidade de Gaza.
Há dois meses, o Fatah e o Hamas chegaram a um acordo para formação de um governo de unidade nacional e adotaram um cessar-fogo. A onda de violência atual em Gaza é a maior desde o acordo foi alcançado entre as duas facções.
O medo da violência fez com que escolas e estabelecimentos comerciais não abrissem as portas e a maioria dos moradores de Gaza não saíssem de casa durante o dia.
Sderot
Na cidade israelense de Sderot, quatro pessoas ficaram feridas, uma seriamente, na queda de um míssil em uma casa.
O braço armado do Hamas reivindicou a autoria do ataque e disse que disparou mais dois mísseis contra o território israelense.
Grupos armados em Gaza freqüentemente disparam mísseis contra alvos em Israel para protestar contra a ocupação israelense de territórios que consideram palestinos.
Recentemente, tropas israelenses realizaram incursões na Faixa de Gaza para impedir o disparo desses mísseis, mas uma porta-voz do governo israelense disse que, desta vez, ainda não foi planejada nenhuma ofensiva do tipo.