http://www.bbcbrasil.com

15 de maio, 2007 - 05h37 GMT (02h37 Brasília)

Escândalo força demissão de chefe da polícia colombiana

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou nesta segunda-feira a demissão do chefe da polícia colombiana, Jorge Daniel Castro, e do chefe do serviço de inteligência, Guillermo Chavez, devido a um escândalo envolvendo escutas telefônicas.

A decisão foi tomada depois da descoberta de que policiais e agentes de segurança gravaram sem permissão legal conversas telefônicas de políticos de oposição, jornalistas e membros do governo.

O governo do presidente Álvaro Uribe afirmou que as gravações foram ilegais e "completamente inaceitáveis".

O escândalo veio à tona em uma reportagem da revista Semana, que publicou trechos de conversas mantidas por ex-paramilitares de dentro da prisão de segurança máxima onde se encontram.

Castro será substituído por Oscar Naranjo, conhecido por sua atuação contra os cartéis de droga na Colômbia e considerado um dos melhores policiais de sua geração.

Congressistas presos

O caso das escutas telefônicas não é o único escândalo que o governo colombiano tenta resolver.

Nesta segunda-feira, a Justiça colombiana ordenou a captura de mais 20 dirigentes políticos, entre eles cinco parlamentares, acusados de trabalhar com esquadrões da morte ligados a grupos paramilitares de extrema direita.

O chamado "escândalo da parapolítica" já envolveu 14 congressistas colombianos eleitos em 2006, que tiveram suas prisões decretadas.

Também são acusados de envolvimento um governador, dois ex-governadores, um ex-ministro e diversos ex-congressistas, ex-prefeitos e deputados estaduais.

Os homens que tiveram sua detenção decretada nesta segunda-feira são acusados de ter firmado um pacto com os chefes paramilitares colombianos, em 2001, no qual se comprometeram a "refundar" o país.

Alguns congressista afirmam que assinaram o documento, conhecido como Pacto de San José de Ralito, sob coação.

Quase todos os políticos acusados pertencem à coalizão do governo do presidente Uribe.