09 de maio, 2007 - 09h19 GMT (06h19 Brasília)
O Timor Leste vota nesta quarta-feira no segundo turno de sua eleição presidencial.
Autoridades dizem que o comparecimento às urnas está sendo alto, e que nenhum incidente grave foi registrado durante a manhã.
A escolha é entre o atual primeiro-ministro, o prêmio Nobel da Paz José Ramos-Horta, e o porta-voz do Parlamento, Francisco Guterres.
O vencedor sucederá Xanana Gusmão, que lidera a nação desde sua independência, há cinco anos.
Embora o cargo de presidente seja cerimonial – o chefe de governo é o primeiro-ministro – a eleição é vista como fundamental para o futuro do país.
Segundo a correspondente da BBC em Dili, Lucy Williamson, a expectativa dos eleitores é alta, porque, desde a independência, pouco se avançou na tentativa de reduzir a pobreza.
No ano passado, uma crise entre as forças de segurança do país, que provocou violentos protestos, minou ainda mais a confiança dos timorenses.
Campanha
Tanto Ramos-Horta quanto Guterres prometeram respeitar os resultados das urnas neste segundo turno.
Analistas posicionam Ramos-Horta, que atualmente exerce o cargo de primeiro-ministro, como favorito na disputa.
Seis dos candidatos que disputaram o primeiro turno e não passaram ao segundo expressaram seu apoio ao prêmio Nobel.
O atual primeiro-ministro fez uma campanha prometendo atrair mais investimentos estrangeiros para o país, com o fim de amenizar os problemas econômicos da ilha.
Já Guterres focou sua campanha no tema da segurança. Ele é apoiado pelo Fretilin, o partido da situação nascido da guerrilha de resistência à ocupação indonésia, e apoiado por muitos timorenses em todo o país.
Substituir o atual presidente, Xanana Gusmão, será um desafio tanto para um como para outro candidato.
Gusmão, um ex-líder guerrilheiro e de forte carisma, ainda goza de amplo apoio entre os timorenses.
O atual presidente não se postulou à reeleição, mas espera se tornar o próximo primeiro-ministro, e já anunciou sua intenção de concorrer às eleições parlamentares, em junho.
Segurança
Cerca de 1,2 mil soldados de uma força de paz da ONU, coordenada pela Austrália, têm a missão de garantir a segurança das eleições, junto com um contingente semelhante de policiais.
"Os eleitores estão entusiasmados para votar, e votarão no segundo turno como fizeram no primeiro - de maneira pacífica, livre. Esta manifestação democrática fará com que a eleição seja válida e aceita por todo o povo do Timor Leste", disse o representante especial da Secretaria-Geral da ONU no país, Atul Khare.
Muitos esperam que essas eleições ponham fim à política tensão e a instabilidade que têm marcado o jovem país, afirmou a correspondente da BBC.
Em março de 2006, mais de 30 pessoas morreram e milhares abandonaram suas casas, em meio a confrontos armados entre diferentes facções militares.