06 de maio, 2007 - 18h13 GMT (15h13 Brasília)
O partido do governo na Turquia convocou neste domingo eleições presidenciais diretas, depois que seu candidato foi novamente derrotado pela oposição em um pleito realizado no Parlamento.
O único candidato à Presidência, o ministro das Relações Exteriores Abdullah Gul, decidiu renunciar à disputa. Ele disse que o correto a se fazer agora é deixar o povo turco escolher diretamente o próximo presidente.
O principal partido da oposição, o secularista CHP, boicotou a votação no Parlamento neste domingo, impedindo que a sessão para escolha do novo presidente obtivesse quorum suficiente.
A oposição acusa Gul de ter uma agenda islâmica para governar o país.
O partido do governo, AK, protestou contra a oposição no parlamento, afirmando que o boicote foi "algo como disparar uma bala contra a democracia".
O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, líder do AK, convocou eleições gerais para presidente para o dia 22 de julho.
Ele disse que gostaria que o presidente servisse por, no máximo, dois mandatos de cinco anos, em vez de um mandato de sete anos. Já o mandato do parlamento deveria ser reduzido, segundo o premiê, de cinco para quatro anos.
No sábado, milhares de turcos foram às ruas no oeste da Turquia para pedir que Gul renunciasse e que o sistema secular do país fosse mantido.
A correspondente da BBC em Istambul Sarah Rainsford afirma que a principal questão agora é saber quem o partido do governo vai indicar como novo candidato, e se esse indicado terá ou não relações políticas com o Islã.
'"Sem ressentimento'
"Depois disso (...) minha candidatura está fora de questão. Eu não sinto ressentimento", disse Abdullah Gul, após as eleições frustradas no domingo.
O Parlamento precisava atingir um quorum de 367 deputados – ou dois terços da casa – mas apenas 358 compareceram, informou o porta-voz parlamentar, Bulent Arinc. O AK tem 350 vagas no Congresso.
A disputa pela Presidência expôs divisões grandes na Turquia. O Exército, que é considerado um dos guardiões da constituição secular do país, manifestou sua oposição a Gul, a quem acusam de ter uma agenda islâmica para governar o país.
O ministro havia prometido aderir aos princípios seculares da República caso fosse eleito, mas sua promessa não foi suficiente para impedir protestos nas cidades de Manisa e Canakkale no sábado.
Outras demonstrações em Ancara e Istambul já haviam levado mais de um milhão de pessoas às ruas contra ele.
O mandato do atual presidente, Ahmet Necdet Sezer, termina no dia 16 de maio. Espera-se que as novas eleições presidenciais diretas ponham fim ao impasse político entre governo e oposição no país.