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26 de abril, 2007 - 17h49 GMT (14h49 Brasília)

Putin ameaça tirar Rússia de tratado antiarmas europeu

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou nesta quinta-feira retirar o país do Tratado de Armas Convencionais em vigor na Europa, acusando países da Otan (Aliança militar do Ocidente) de ignorar os termos do acordo.

"A coisa certa, para nós, seria impor uma moratória ao tratado até que todos os países da Otan o ratifiquem e comecem a acatá-lo, como a Rússia faz neste momento", disse Putin, em seu discurso anual no Parlamento russo.

O presidente da Rússia vinculou sua ameaça diretamente ao plano americano de construir um sistema de defesa antimísseis na Polônia e na República Checa, países que faziam parte da Cortina de Ferro nos tempos soviéticos.

"Isso nos dá uma razão genuína para afirmar que, neste caso, os nossos parceiros estão se comportando de forma inapropriada, para dizer o mínimo", disse o presidente.

"Eles vão instalar elementos de defesa antimíssil na República Checa e na Polônia. Esses novos membros da Otan, como a Eslováquia e os países bálticos, não aderiram ao tratado, o que cria riscos reais para nós, com surpresas imprevisíveis."

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Tratado

O acordo ao qual o presidente russo se refere é o tratado sobre forças convencionais assinado entre a Otan e o Pacto de Varsóvia – a aliança militar da chamada Cortina de Ferro, durante a Guerra Fria – em 1990, antes do fim da União Soviética. O tratado impõe limites à presença de forças militares na Europa.

O tratado passou por uma reforma em 1999, depois do fim do Pacto de Varsóvia, mas países da Otan, entre eles muitos antigos integrantes do pacto, ainda não o ratificaram – exigindo, em troca disso, que a Rússia retire tropas que mantém na Geórgia e na Moldávia.

Os Estados Unidos alegam que seus planos nos dois países do Leste Europeu não representam uma ameaça à segurança global.

Para a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, os comentários de Putin foram "ridículos". Ela disse estar disposta a passar o tempo que for necessário para explicar aos russos o que os Estados Unidos pretendem com a instalação do sistema antimísseis.

"Os russos têm milhares de ogivas. A idéia de que, de alguma forma, se possa parar o arsenal nuclear dissuasivo russo com alguns interceptadores (que devem ser instalados na Europa Oriental) não faz sentido", disse.

Por sua vez, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, disse que vai pedir à Rússia mais explicações sobre a posição do país.

Tensão

 Os russos têm milhares de ogivas. A idéia de que, de alguma forma, se possa parar o arsenal nuclear dissuasivo russo com alguns interceptadores (que devem ser instalados na Europa Oriental) não faz sentido.
 
Condoleezza Rice, secretária de Estado dos EUA

Segundo James Rodgers, correspondente da BBC em Moscou, as declarações de Putin foram feitas em um momento de relações estremecidas entre Washington e Moscou.

Muitos avaliam que essas relações estão no pior momento desde o final da guerra fria, e a mensagem de Putin pode piorar isso.

"Chegou a hora de nossos parceiros fazerem, finalmente, sua contribuição à redução de armamentos na Europa", disse o presidente russo.

Para Putin, o tratado de armas convencionais seria "compreensível" se o Pacto de Varsóvia continuasse a existir, mas hoje ele apenas restringe o envio de tropas russas a locais que o país julga necessários.

"Mesmo quando a situação na Chechênia piorou, a Rússia continuou acatando o tratado e coordenando suas ações com seus parceiros. Mas o que eles, nossos parceiros, fizeram? Eles nem ratificaram o tratado."