26 de abril, 2007 - 21h00 GMT (18h00 Brasília)
A Casa Branca confirmou nesta quinta-feira que o presidente americano George W. Bush pretende vetar o projeto de lei aprovado pelo Congresso que prevê a retirada gradual das tropas americanas do Iraque a partir de outubro.
O projeto, aprovado tanto na Câmara como no Senado, condiciona a liberação de novas verbas para a guerra no Iraque a um cronograma para a retirada.
Bush já havia afirmado que vetaria o projeto, o que desencadeou o primeiro embate do presidente com o Congresso desde que o Partido Democrata assumiu o controle das duas casas.
Os democratas não têm os votos necessários para derrubar o veto presidencial.
'Prejudicial'
O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebari, disse nesta quinta-feira que as tentativas dos democratas americanos de acelerar a retirada do país são "prejudiciais à segurança" do Iraque.
Zebari afirmou que o projeto "é basicamente parte da atividade política em Washington, e isso é prejudicial à segurança e ao desenvolvimento político, não apenas do Iraque, mas de toda a região".
O ministro das Relações Exteriores do Iraque afirmou ainda que a decisão a favor da retirada dos soldados americanos "deve depender das condições no campo (de batalha)".
"No momento em que as forças iraquianas, de segurança e militares, se tornarem autoconfiantes, capazes de agir sozinhas, defender seu país, garantir a segurança, então, definitivamente, haverá um jeito para que os soldados se retirem (do Iraque)", disse.
A proposta, que provocou um impasse entre democratas e republicanos, prevê a liberação de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 203 bilhões) em novos fundos para a guerra, desde que as tropas comecem a deixar o Iraque em outubro, com a retirada completa prevista para março de 2008.
'Complexo'
O comandante da operação militar dos Estados Unidos no Iraque, general David Petraeus, disse que o conflito no país é o mais complexo e desafiador que ele já presenciou.
O militar se reuniu com políticos americanos para apresentar seus argumentos contra a proposta de lei.
Petraeus está supervisionando a operação que está enviando milhares de soldados americanos a mais para Bagdá, em uma tentativa de pacificar a capital iraquiana.
O general não se manifestou de maneira direta sobre o projeto de retirada em uma entrevista coletiva em Washington, nesta quinta-feira, mas acrescentou que a operação americana "vai, claramente, exigir um enorme comprometimento no decorrer do tempo".
Segundo o militar, poucos meses depois do início da operação, já foram vistas melhorias no Iraque, mas Petraeus admitiu que o progresso conseguido "é, com freqüência, obscurecido por ataques sensacionais, que ofuscam as realizações" dos americanos no país.
O general descreveu a situação no Iraque como "excessivamente complexa e muito difícil" e acrescentou que "há muito mais trabalho a ser feito".