24 de abril, 2007 - 00h44 GMT (21h44 Brasília)
O Tribunal Constitucional (TC) do Equador decidiu nesta segunda-feira restituir os 57 deputados destituídos no início de março.
Os parlamentares são opositores do presidente Rafael Correa e eram contrários à realização de um referendo para formar uma Assembléia Constituinte com o objetivo de reescrever a Constituição.
Os deputados haviam sido destituídos porque, segundo avaliação do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), interferiam no processo de consulta popular.
O referendo acabou sendo realizado no último dia 15, e o "sim" venceu com o apoio de 81,50% dos eleitores.
A destituição dos deputados provocou uma crise jurídica e política no país.
Os parlamentares haviam apelado contra a decisão inicial do TSE. Nesta segunda-feira, o presidente do TC, Santiago Velásquez, disse que a decisão do tribunal eleitoral não é constitucional.
A sentença teve o voto de seis dos nove membros do TC.
Protestos
Segundo a correspondente da BBC Mundo em Quito, María de Barese, depois do anúncio da decisão, seguidores de Correa fizeram um protesto em frente à sede do Tribunal Constitucional.
O presidente do Congresso, Jorge Cevallos, reconheceu que a crise provocada pelas destituições originou um Congresso "debilitado" e "sem força para legislar e fiscalizar como deveria".
A Assembléia Constituinte cuja criação foi proposta no referendo deverá assumir muitos dos poderes do atual Congresso.
Segundo correspondentes, os parlamentares terão seus poderes consideravelmente reduzidos assim que a Assembléia Constituinte for estabelecida.
Desde que assumiu o governo, em janeiro, Correa mantém uma relação turbulenta com o Congresso, controlado pela oposição.
O presidente acusa o Congresso de corrupção e de ser a causa de muitos dos problemas do país.
Os opositores de Correa temem que ele use a Assembléia Constituinte para tentar enfraquecer o Poder Legislativo.