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22 de abril, 2007 - 21h13 GMT (18h13 Brasília)

Oposição da Nigéria rejeita eleição presidencial

Os dois principais candidatos de oposição da eleição presidencial na Nigéria afirmaram que não vão aceitar os resultados da votação de sábado.

O vice-presidente, Atiku Abubakar, e o general Muhammad Buhari, afirmaram que o partido do governo, o Partido Democrático do Povo (PDP) fraudou as eleições.

Dos resultados estaduais anunciados até o final de domingo, o candidato do partido do governo Umaru Yar'Adua venceu em dois dos estados do delta do rio Níger, Rivers e Akwa Ibom.

Nestas eleições 24 candidatos estão concorrendo para suceder o presidente Olusegun Obasanjo e a nação mais populosa da África espera substituir um chefe de estado civil eleito por outro, pela primeira vez.

'Pior'

Atiku Abubakar - que venceu no estado de Lagos - afirmou que a eleição foi a pior na história da Nigéria e uma nova votação deveria ser realizada.

Abubakar e Buhari disseram que vão convocar protestos pacíficos e entrar com processos para contestar os resultados da votação.

O principal grupo de observadores eleitorais da Nigéria, Transition Monitoring Group, disse neste domingo que pedirá a anulação das eleições presidenciais e parlamentares que começou no sábado, marcadas por atrasos e violência.

Em entrevista à agência Reuters, o presidente da organização, Innocent Chukwuma, disse:

"Pediremos a realização de novas eleições. Não se pode usar o resultado de apenas metade do país para anunciar um novo presidente."

"Em muitas partes do país, as eleições não começaram a tempo, ou nem sequer começaram."

Observadores da União Européia informaram que ocorreram abusos e violência. Mas a missão do Commonwealth (Comunidade Britânica que reúne a Grã-Bretanha, suas ex-colônias e países convidados) afirmou que a situação melhorou em comparação com as eleições estaduais ocorridas na semana passada.

No final do dia de votação, sábado, o presidente da comissão eleitoral, Maurice Iwu, afirmou que as eleições foram um "sucesso" e será lembrada por gerações.

A votação foi estendida até este domingo em quatro estados, aonde as cédulas chegaram tarde, segundo oficiais.

Além da eleição presidencial, também ocorreu a votação para a Assembléia Nacional e o Senado.

Autoridades eleitorais esperam publicar resultados detalhados na noite de segunda-feira e o novo governo deve assumir o poder no dia 29 de maio.

Violência

Pelo menos 11 pessoas morreram ao longo do sábado, incluindo sete policiais que escoltavam autoridades e material eleitoral no estado de Nassarawa, no centro do país.

Outras quatro pessoas foram mortas quando a polícia abriu fogo contra uma multidão no estado de Katsina, base eleitoral do candidato da situação, Umaru Yar'Adua, e de um de seus principais adversários, Muhammadu Buhari.

Entre os mortos neste incidente estava uma criança.

Segundo o correspondente da BBC em Abuja, David Bamford, a tensão atingiu seu ápice em áreas do país onde o apoio à oposição é maior, e naquelas em que não houve cédulas para todos os eleitores.