22 de abril, 2007 - 22h22 GMT (19h22 Brasília)
O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, disse neste domingo que mandou suspender a construção polêmica de um muro que separaria a parte sunita da capital Bagdá de áreas xiitas vizinhas.
"Eu sou contra a construção do muro e ela vai parar. Existem outras formas de proteger bairros", disse al-Maliki durante uma entrevista coletiva concedida juntamente com o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, na capital egípcia, Cairo.
A construção, que foi anunciada pelos Estados Unidos neste sábado, foi criticada por líderes políticos iraquianos, que argumentaram que ela aumentaria as tensões sectárias.
O Exército americano explicou que estava construindo o muro no bairro de Adhamiya, em Bagdá, para proteger a minoria sunita de ataques, mas a medida foi criticada por moradores da área e líderes sunitas, que disseram que ela isolaria a comunidade, além de ter um efeito negativo.
'Outros muros'
Apesar de não ter entrado em detalhes, Al-Maliki afirmou temer que "este muro tenha repercussões que nos lembrem outros muros, o que nós rejeitamos", possivelmente se referindo a construções do gênero que dividiram comunidades no século 20, como os de Berlim e Beirute.
"Do ponto de vista árabe, na realidade, eu me opus a construir o muro e isto será suspenso. Mas, basicamente, a razão principal deste muro não é isolar e sim proteger, como uma medida de segurança", explicou al-Maliki.
"Eu pedi ontem que a construção seja suspensa e que sejam encontradas alternativas para proteger a área."
Apoio árabe
Antes do encontro com o secretário-geral da Liga Árabe, na noite deste domingo, Al-Maliki se reuniu durante a manhã com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, na primeira etapa da viagem por quatro países árabes que o primeiro-ministro iraquiano realiza para pedir apoio ao governo do Iraque e seus esforços para reduzir a violência no país.
Nas reuniões com Mubarak, realizadas no Palácio Presidencial no Cairo, os dois líderes também conversaram sobre a conferência internacional de dois dias marcada para o início de maio no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh.
O evento, que é a seqüência de uma conferência realizada em Bagdá em março para discutir formas de diminuir a violência no Iraque, reunirá seus países vizinhos, além do Egito e do Barein, e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia.
Depois do Egito, o primeiro-ministro Nouri al-Maliki segue para o Kuwait e, em seguida, para os Emirados Árabes Unidos e Omã.