15 de abril, 2007 - 18h32 GMT (15h32 Brasília)
A proporção mundial de pessoas em extrema pobreza - que vivem com menos de US$ 1 dólar por dia - caiu pela metade entre 1981 e 2004, passando de 40,6% para 18,4%, de acordo com o relatório Indicadores do Desenvolvimento Mundial 2007, divulgado pelo Banco Mundial (Bird) neste domingo.
Segundo as novas estimativas, 985 milhões de pessoas ainda vivem nessas condições. É a primeira vez no período que esse número cai abaixo de 1 bilhão. Em 1990, 1,25 bilhão de pessoas viviam em extrema pobreza.
Esse progresso, no entanto, não ocorreu de forma igual. Enquanto a Ásia apresentou queda significativa nas taxas de pobreza, a América Latina e o Caribe, assim como a África, registraram aumento no número de pobres nesse período.
Em 1993, conforme os dados apresentados no relatório, 8,4% da população da América Latina e Caribe, ou 39 milhões de pessoas, se encaixavam na definição de extrema pobreza. Em 2004, esse índice passou para 8,6%, ou 47 milhões de pessoas.
No Brasil, segundo o relatório, 7,5% da população vivia com menos de US$ 1 por dia em 2004, e 21,2% com menos de US$ 2.
Quando considerada a faixa das pessoas que vivem com menos de US$ 2 dólares por dia, os avanços mundiais são menores. A queda foi de 60,8% para 47,7% da população global entre 1990 e 2004. O número total de pessoas nessa condição passou de 2,64 bilhões em 1990 para 2,55 bilhões em 2004 - quase a metade da população do mundo em desenvolvimento.
Na América Latina e Caribe, o índice caiu de 26,2% da população em 1990 para 22,2% em 2004. Mas o número absoluto de pessoas nessas condições aumentou no período, passando de 115 milhões para 121 milhões.
China
A China é um dos destaques do relatório, reduzindo o percentual da população em extrema pobreza de 63,8% em 1981 para 9,9% em 2004. No período, o número de chineses nessa condição passou de 634 milhões para 128 milhões.
Se forem excluídos os dados do país, o número de pobres no mundo em 2004 permanece praticamente o mesmo de 1981 (857 milhões de pessoas).
O Banco Mundial também ressalta que, desde 2002, os países em desenvolvimento vêm registrando uma sólida média de crescimento anual do PIB per capita de 3,9%, o que contribuiu para uma rápida redução dos índices de pobreza nas regiões em desenvolvimento nos últimos anos.
A África Subsaariana continua sendo um destaque negativo. O número de pobres quase dobrou no período de 1981 a 2004, passando de 167 milhões para 298 milhões de pessoas. No entanto, desde 1999 o crescimento no número de pobres vem diminuindo, o que o relatório considera um bom sinal.
O documento ressalta ainda que a redução da pobreza nem sempre é proporcional ao crescimento da renda. Em alguns países e regiões, segundo o Banco Mundial, a desigualdade piorou.
Nessas regiões, problemas relacionados à falta de emprego, educação e saúde impediram que os pobres colhessem os frutos da expansão econômica.