10 de abril, 2007 - 10h49 GMT (07h49 Brasília)
Resultados preliminares das eleições presidenciais do Timor Leste indicam que o primeiro-ministro José Ramos Horta tem uma pequena vantagem em relação aos outros sete candidatos.
Os resultados oficiais devem ser divulgados no dia 16 de abril, mas o porta-voz da comissão eleitoral, Martinho Gusmão, disse nesta terça-feira que resultados preliminares do distrito de Dili mostram que Ramos Horta está na frente com cerca de 30% dos votos. Cerca de 20% dos votos foram apurados até agora.
Em segundo lugar, está Fernando "Lasama" de Araújo, presidente o Partido Democrata, de oposição, que tem 25% dos votos, e o presidente do partido governista Fretilin, Francisco "Lu-Olo" Guterres, está com 20%.
Mas analistas dizem que é pouco provável que Ramos Horta obtenha a maioria de 50% necessária que impeça um segundo turno.
A maioria dos resultados das apurações até o momento vem da capital, Dili, pois problemas técnicos atrasaram a contagem de votos fora da capital.
Apesar dos problemas, observadores internacionais dizem que estão satisfeitos com a forma como a eleição foi realizada.
Esta é a primeira eleição presidencial no Timor Leste desde que o país ficou independente da Indonésia, em 2002.
Muita gente espera que a eleição ajude a resolver as tensões políticas e a instabilidade no país.
Choques entre facções militares rivais no ano passado acabaram em distúrbios nas ruas que deixaram 30 mortos.
Comparecimento
Acredita-se que o comparecimento na eleição de segunda-feira foi alto, e pouco mais da metade de um milhão de eleitores foi votar.
O candidato vitorioso vai substituir Xanana Gusmão, que está deixando a Presidência do Timor Leste.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, elogiou o pleito. Seu gabinete emitiu nota destacando "a atmosfera geral de ordem e calma" em que a votação foi realizada.
"Ele espera que a calma prevaleça enquanto as apurações prosseguem e quando o resultado for anunciado."
Ramos Horta, que recebeu um prêmio Nobel da Paz em 1996 por defender a independência do Timor Leste da Indonésia, é visto tomo o principal nome para substituir Gusmão, um aliado.
Xanana Gusmão disse que pretende concorrer ao cargo de primeiro-ministro nas eleições gerais marcadas para junho, que escolherão um novo Parlamento e um novo governo.
A votação de segunda-feira é vista como um teste para esse outro pleito.
Cerca de 3 mil policiais e soldados internacionais patrulharam as ruas para garantir a segurança na eleição.
Estes soldados, a maioria australianos, estão no Timor Leste desde junho do ano passado para estabilizar o país depois de choques que levaram milhares de pessoas a deixarem suas casas.
As Nações Unidas esperam manter uma missão no Timor Leste por vários anos, de acordo com o correspondente da BBC em Dili, Jonathan Head.
Mas mesmo que estas eleições tenham transcorrido sem maiores problemas, Head afirma que a restauração de um governo efetivo é uma tarefa de longo-prazo.
A crise do ano passado reabriu divisões na sociedade do Timor Leste, muitas delas datando da longa guerra contra o domínio indonésio.