05 de abril, 2007 - 08h03 GMT (05h03 Brasília)
Os 15 marinheiros e fuzileiros britânicos que tinham sido capturados pelo Irã há quase duas semanas embarcaram, na manhã desta quinta-feira, em um vôo comercial partindo de Teerã para Londres.
A libertação dos militares foi anunciada na quarta-feira pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinehad, como sendo "um presente" para a Grã-Bretanha, em comemoração ao aniversário do profeta Maomé e ao feriado da Páscoa.
Os fuzileiros e marinheiros britânicos foram levados em uma comitiva oficial até o aeroporto de Teerã e, antes de embarcar, deram entrevistas à televisão iraniana para agradecer pela libertação.
"Quero dizer ao povo iraniano que entendo por quê vocês se sentiram ofendidos com nossa aparente intrusão a suas águas", disse o tenente Felix Carman. "Não tínhamos a intenção de causar danos ao povo iraniano ou ao território do país de maneira alguma, e espero que esta experiência ajude a sedimentar a relação entre os dois países."
Blair criticado
Os militares tinham sido detidos há 13 dias quando navegavam entre águas territoriais iranianas e iraquianas.
O Irã alega que houve violação de suas fronteiras, enquanto o governo britânico defende que eles navegavam em águas iraquianas.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que a notícia deve representar "um alívio profundo" para os militares e suas familias.
Segundo ele, a maneira como seu governo lidou com a crise foi "firme, porém calma, e sem negociações mas tampouco sem confrontações."
Blair não fez declarações diretas ao presidente iraniano, mas sim ao povo do país.
"Não queremos mal a vocês. Ao contrário, respeitamos o Irã como uma civilização antiga, como uma nação com uma história cheia de orgulho e dignidade", afirmou.
O primeiro-ministro, no entanto, foi criticado por familiares dos militares presos pela maneira como conduziu a situação.
"Fiquei decepcionado e, em alguns momentos, extremamente revoltado com essa bravata risível, essa diplomacia ridícula de crianças", disse Paul Carman, pai do tenente Felix Carman.
Segundo a correspondente da BBC em Teerã, Frances Harrison, deve continuar a especulação sobre se a libertação dos britânicos tem ou não alguma relação com a recente visita que um enviado iraniano fez a cinco conterrâneos detidos por forças americanas no Iraque.