31 de março, 2007 - 01h00 GMT (22h00 Brasília)
Um prisioneiro na base americana na baía de Guantánamo, em Cuba, disse que foi torturado para confessar envolvimento no atentado a bomba ao destróier americano USS Cole, no Golfo de Aden, em 2000.
Abd al-Rahim al-Nashiri, um saudita de 41 anos, está sob custódia americana há cinco anos.
Al-Nashiri afirmou frente a uma comissão militar, reunida no dia 14 de março para decidir se ele é um "inimigo combatente", que enfrentou tortura por anos depois de sua prisão, em 2002.
Isso é o que diz uma transcrição do Pentágono parcialmente editada.
Ele afirmou que inventou estórias para satisfazer seus captores, de acordo com a transcrição, que não deu detalhes do tipo de tortura a que ele alega ter sido submetido.
"Pessoas contentes"
"Eu só disse estas coisas para deixar as pessoas contentes", afirmou o prisioneiro, de acordo com a transcrição.
"Eles ficaram muito contentes quando eu lhes disse estas coisas."
Al-Nashiri está entre os 14 prisioneiros transferidos para Guantánamo em setembro considerados "de alto valor". Anteriormente eles vinham sendo mantidos em prisões secretas da CIA (Central de Inteligência dos Estados Unidos) fora do território americano.
As autoridades americanas acusaram al-Nashiri de ser líder das operações da rede extremista al-Qaeda no Golfo na época do ataque, no Iêmen, que matou 17 marinheiros americanos e quase afundou o navio.
Ele foi julgado à revelia em um tribunal no Iêmen em setembro de 2004, e condenado à morte.
Entre as aparentes confissões, al-Nashiri disse aos agentes que o interrogavam que se encontrou com o líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, várias vezes, e recebeu dele montantes significativos de dinheiro, de acordo com a transcrição.