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Australiano em Guantánamo cumprirá nove meses de prisão

Um tribunal militar americano decidiu que um cidadão australiano preso na base dos Estados Unidos na baía de Guantánamo, em Cuba, permanecerá detido por mais nove meses.

David Hicks, de 31 anos, recebeu nesta sexta-feira uma pena de sete anos, depois de ter se declarado culpado de apoiar "terrorismo".

Mas um acordo limitou sua sentença, cuja maior parte foi suspensa, e ele só terá que cumprir nove meses.

Hicks foi levado para Guantánamo em meados de 2002, depois de ter sido capturado no Afeganistão. Antes, ele trabalhava em uma fazenda na Austrália.

Ele foi o primeiro prisioneiro de Guantánamo a comparecer perante o tribunal, organizado de acordo com novas regras ordenadas pela Suprema Corte.

Os Estados Unidos devem repatriar o prisioneiro dentro de 60 dias.

Como parte de um acordo feito com as autoridades americanas, ele também retirou alegações de que sofreu maus-tratos sob custódia americana.

"Inconstitucional"

O réu foi acusado e começou a ser julgado originalmente em agosto de 2004. A Suprema Corte americana, contudo, decidiu, no ano passado, que o sistema era inconstitucional.

O governo do presidente George W. Bush apresentou uma versão revisada do sistema que foi aprovada pelo Congresso americano.

Dois outros prisioneiros, Omar Khadr, do Canadá e Salim Ahmed Hamdan, do Iêmen, foram indiciados mas não compareceram ainda ao tribunal militar, de acordo com as autoridades americanas.

Os Estados Unidos anunciaram planos de usar o novo sistema para processar cerca de 80 dos cerca de 380 prisioneiros ainda em Guantánamo.

A organização de defesa dos direitos humanos, Anistia Internacional, condenou os tribunais e exigiu que os detentos sejam julgados no sistema judicial regular dos Estados Unidos.