26 de março, 2007 - 15h57 GMT (12h57 Brasília)
O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, pediu desculpas no Parlamento nesta segunda-feira, em nome do país, pelo emprego de mulheres como escravas sexuais durante a Segunda Guerra Mundial.
O pedido foi feito depois de Abe ter sido criticado por comentários ambíguos, que deixaram dúvidas se mulheres foram realmente usadas como escravas sexuais.
"Eu peço desculpas aqui e agora como primeiro-ministro", disse Abe, no Parlamento.
De acordo com o correspondente da BBC Chris Hogg, a iniciativa parece fazer parte de um movimento do governo para amenizar a repercussão dos comentários feitos anteriormente.
Pressão dos EUA
Abe disse, durante um debate na casa superior do Parlamento, que ele apoiava um pronunciamento oficial de 1993 no qual o Japão reconhece que o exército imperial abriu e administrou bordéis para suas tropas durante a guerra.
"Como digo com freqüência, eu me solidarizo com as pessoas que passaram por dificuldades, e peço desculpas por elas terem sido obrigadas a enfrentar essa situação naquela época", disse.
Segundo Hogg, o pronunciamento de Abe foi um pouco além de outras tentativas para amenizar as declarações dadas há duas semanas, mas mesmo assim não deve agradar políticos da China e da Coréia do Sul, que fizeram as críticas.
A polêmica em torno dos comentários contribui para uma série de dificuldades do primeiro-ministro. Em seis meses, seu governo já foi atingido por uma série de escândalos e gafes.
Opinião pública
Uma pesquisa de opinião pública divulgada nesta segunda-feira mostrou que o apoio a Abe – o primeiro-ministro mais jovem da história do Japão – caiu para 35%.
Historiadores acreditam que o Japão empregou 200 mil mulheres como escravas sexuais, algumas de lugares como Filipinas, Indonésia e Taiwan.
Conservadores japoneses argumentam que elas já eram prostitutas e que foram pagas pelo governo pelos seus serviços. Dizem também que abusos foram cometidos por agentes privados, e não por militares.
Nos Estados Unidos, o Congresso americano está estudando uma resolução para pedir de Tóquio uma manifestação clara de desculpas pelo uso de escravas sexuais.
Políticos japoneses dizem que o governo não aceitará pressão internacional no caso.