22 de março, 2007 - 02h45 GMT (23h45 Brasília)
O governo do Iraque está realizando conversações com alguns grupos insurgentes no país, confirmou um integrante do alto escalão da administração do país, nesta quarta-feira.
Segundo Saad Yousif al-Muttalibi, do Ministério para o Diálogo Nacional e Reconciliação, nenhum dos grupos tem ligação com a Al-Qaeda no Iraque.
Pode-se estar chegando a um ponto em que alguns dos grupos deporão suas armas, disse Muttalibi.
"Nós já estabelecemos ligações e contato com grandes grupos insurgentes."
"Um dos objetivos é nos unirmos a eles na luta contra a Al-Qaeda. Nós estamos quase chegando lá e unindo forças para atacar a al-Qaeda para tirá-la do Iraque."
O correspondente da BBC em Bagdá, Hugh Sykes, disse que aparentemente os integrantes dos grupos são diversos: de funcionários públicos a pessoas com conhecimentos militares.
"Terroristas"
Muttalibi afirmou que a visão de que não se pode conversar com "terroristas" é muito simplista.
Sykes disse que Muttalibi descartou a possibilidade de rendição a "terroristas", mas afirmou que às vezes é necessário negociar com eles para entender o que desejam.
Em entrevista à BBC na terça-feira, o vice-presidente do Iraque, Tareq al-Hashemi, pediu a abertura de diálogo com os insurgentes do país em uma tentativa de trazer a paz.
"Eu acredito que não há outro jeito, a não ser conversar com todo mundo" com exceção da Al-Qaeda", afirmou.
Segundo Al-Hashemi, os militantes são "apenas parte das comunidades do Iraque".
Muçulmano sunita, o vice-presidente iraquiano já foi teve uma experiência pessoal com violência. No ano passado, milícias xiitas mataram sua irmã e dois de seus irmãos.
Mas ele disse à BBC que a única forma de o Iraque avançar é a realização de negociações.
Fora a Al-Qaeda, que al-Hashimi disse "não estar muito desejosa, na verdade, de conversar com ninguém", todos os partidos "deveriam ser convidados, deveriam ser chamados para sentar em volta de uma mesa para discutir seus temores, suas reservas."