19 de março, 2007 - 20h02 GMT (17h02 Brasília)
Daniela Fernandes
De Paris
O líder antiglobalização José Bové obteve o direito de disputar o primeiro turno das eleições presidenciais na França, marcado para o dia 22 de abril.
Bové foi incluído na relação oficial de 12 candidatos, divulgada nesta segunda-feira pelo Conselho Constitucional francês, que verificou se cada um dos pré-candidatos tinha um abaixo-assinado mostrando o apoio de pelo menos 500 políticos eleitos.
O suspense em relação ao número de assinaturas em apoio ao José Bové durou até o último momento. Ele garantiu a candidatura com uma pequena margem sobre o número mínimo.
A campanha eleitoral oficial na TV e no rádio começa no dia nove de abril.
Mesmo tempo
De acordo com a legislação francesa, todos os candidatos devem ter exatamente o mesmo tempo de exposição nos meios eletrônicos – TV, rádio e internet.
Leva-se em conta nessa contagem do tempo não apenas as campanhas publicitárias dos candidatos, mas também as participações deles em programas de entrevistas.
Essa norma vai passar a vigorar já a partir desta terça-feira, dia 20 de março.
Dessa forma, o desconhecido Frédéric Nihous, do partido Caça, Pesca, Natureza e Tradições (CPNT), terá o mesmo tempo de discurso na TV e no rádio do que o líder nas pesquisas, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy.
Analistas estimam que o início da campanha oficial, com esse equilíbrio entre os menos conhecidos e os favoritos, poderá ter impacto nas intenções de votos.
A menos de cinco semanas do primeiro turno, 42% dos franceses, de acordo com sondagens, ainda não sabem em quem vão votar.
Menos candidatos
Nas eleições presidenciais de 2002, 16 candidatos disputaram o primeiro turno, quatro a mais do que neste ano.
Como em 2002, a esquerda participa da disputa fragmentada. Mais da metade dos candidatos (sete) são de partidos de esquerda, sendo cinco deles de extrema esquerda.
Além de José Bové, participam da disputa representando a extrema esquerda Marie-George Buffet, do Partido Comunista; Gérard Schivardi, do Partido dos Trabalhadores; Olivier Besancenot, da Liga Comunista Revolucionária; e Arlette Laguiller, da Luta Operária.
Cada um desses candidatos tem apenas entre 1% e 2,5% nas pesquisas de opinião.
Muitos analistas acreditam que a dispersão da esquerda em inúmeros candidatos causou a derrota do socialista Lionel Jospin no primeiro turno em 2002. Jospin acabou perdendo a vaga no segundo turno para o líder da extrema direita, Jean-Marie Le Pen.
De acordo com a pesquisa RMC/BFM TV/20 Minutes, divulgadas nesta segunda-feira, Nicolas Sarkozy mantém a liderança nas intenções de voto, com 29%.
A socialista Ségolène Royal aparece a seguir, com 26%, e o centrista François Bayrou está em terceiro, com 22%.
Mas em outras pesquisas recentes a vantagem de Ségolène sobre Bayrou foi de apenas um ou dois pontos percentuais, incluindo uma sondagem divulgada pelo jornal Le Figaro no domingo.