17 de março, 2007 - 00h55 GMT (21h55 Brasília)
Pelo menos 11 candidatos vão concorrer à presidência da França nas eleições de 22 de abril.
O provável 12º candidato, o ativista antiglobalização José Bové, deverá passar este fim de semana ainda sem saber se conseguiu entrar na lista de concorrentes.
O prazo para o registro de candidaturas terminou nesta sexta-feira, mas a relação oficial será divulgada somente na segunda-feira.
Bové, um líder radical do movimento de camponeses, afirma que conseguiu angariar o apoio de quase um terço dos 42 mil políticos eleitos na França, o que lhe garantiria o mínimo de 500 assinaturas exigido para o registro de sua candidatura.
Mais de 20 políticos fizeram campanha para disputar o primeiro turno das eleições francesas.
As últimas eleições da França, em 2002, foram disputadas por um número recorde de 16 candidatos.
"Antidemocrático"
Os três principais candidatos - o ministro do Interior francês e presidente do partido governista de centro-direita União para um Movimento Popular (UMP), Nicolas Sarkozy, a socialista Ségolène Royal e o presidente do partido União para a Democracia Francesa (UDF), François Bayrou - já atingiram a cota mínima de assinaturas há tempo.
Como representam partidos com muitos políticos eleitos, esses candidatos não tiveram problemas em obter o número de assinaturas exigidas.
Para outros, no entanto, o trabalho foi mais árduo. O líder de extrema direita Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, só conseguiu chegar às 500 assinaturas nesta semana.
Olivier Besancenot, da Liga Comunista Revolucionária, também teve de se esforçar para obter a cota mínima.
Muitos prefeitos de cidadezinhas do interior - que formam a maioria dos 42 mil políticos eleitos da França - não querem ter seus nomes associados a candidatos de extrema direita nem de extrema esquerda.
Tanto Le Pen como Besancenot já afirmaram que consideram o atual sistema "antidemocrático".
Agora que o prazo foi encerrado, o Conselho Constitucional, que coordena as eleições francesas, vai conferir todas as assinaturas, e só depois anunciar a lista oficial dos candidatos que terão seus nomes incluídos nas cédulas do primeiro turno.
Segundo turno
É quase certa a necessidade de um segundo turno, já que, conforme as pesquisas divulgadas até agora, nenhum candidato aparece com maioria absoluta.
Pesquisas de opinião mostram o candidato centrista François Bayrou se aproximando de Sarkozy e de Royal.
Nos últimos dias, aumentou a pressão sobre a candidata socialista, com a divulgação na imprensa de trechos de um livro escrito pelo ex-conselheiro econômico do Partido Socialista Eric Besson, que abandonou a campanha de Royal no mês passado.
Na obra, intitulada Quem Conhece Madame Royal?, Besson acusa Ségolène Royal de incompetência e arrogância.
"Ségolène Royal não deveria se tornar presidente da República", disse Besson, segundo jornais franceses
Sarkozy também sofreu um revés recentemente, com o anúncio de que seu colega Azouz Begag, ministro da Promoção da Igualdade de Oportunidades, vai apoiar Bayrou.
Descendente de argelinos, Begag chamou a proposta de Sarkozy de um ministério de imigração e identidade nacional de "indecente".