15 de março, 2007 - 16h52 GMT (13h52 Brasília)
O ex-vice-presidente do Iraque, Taha Yassin Ramadan, teve negado o recurso contra a sentença de morte por enforcamento.
Ramadan foi julgado junto com o ex-líder iraquiano Saddam Hussein pela morte de 148 xiitas no vilarejo de Dujail durante a década de 1980.
A sentença inicial do ex-vice-presidente havia determinado a prisão perpétua, mas um tribunal de apelações recomendou a pena de morte.
"Ontem, todos os membros da Corte de Recursos ratificaram a sentença de morte de Taha Yassin Ramadan", disse o juiz Munir Haddad, integrante do painel de nove juízes.
Segundo a lei iraquiana ele deve ser levado à forca, como Saddam Hussein, até 30 dias depois de todos os recursos terem sido esgotados.
Inocência
Taha Yassin Ramadan continuou alegando inocência durante todo o julgamento, afirmando que questões de segurança não estavam entre seus deveres como vice-presidente.
"Deus sabe que não fiz nada errado", teria dito Ramadan, segundo a agência de notícias Reuters, pouco antes de o juiz proferir a sentença de morte no dia 12 de fevereiro.
Saddam Hussein e outros dois réus, seu meio irmão e chefe do setor de inteligência, Barzan al-Tikriti, e o ex-chefe da Corte Revolucionária, Awad al-Bandar, foram executados em dezembro e janeiro, respectivamente.
Direitos humanos
Grupos de defesa dos direitos humanos pediram que os juízes revertessem a sentença, afirmando que não existem provas suficientes para a aplicação da pena de morte.
Em novembro de 2006, o tribunal especial sentenciou Ramadan à prisão perpétua, mas um Tribunal de Apelações achou que a sentença era leve.
O processo de julgamento de integrantes do antigo regime iraquiano foi marcado por polêmica a respeito dos veredictos, de como o julgamento foi conduzido e da maneira como as sentenças de morte foram executadas.
Saddam Hussein morreu enquanto testemunhas o insultavam. Na execução de Barzan, um erro de cálculo dos executores fez com que ele fosse decapitado.
O ex-procurador-geral dos Estados Unidos, Ramsey Clark, que participou de todo o julgamento na defesa, chamou o procedimento de "dissimulação".
A equipe de defesa de Saddam também acusou o governo iraquiano de interferir nos procedimentos - uma reclamação que tem o apoio do grupo de defesa dos direitos humanos americano Human Rights Watch.