14 de março, 2007 - 17h15 GMT (14h15 Brasília)
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El-Baradei, disse nesta terça-feira em Pequim, após uma visita à Coréia do Norte, que o país reiterou seu compromisso em abandonar seu programa nuclear, mas está esperando que sanções econômicas sejam levantadas primeiro.
Baradei viajou à capital norte-coreana, Pyongyang, onde participou das primeiras conversas entre um representante da AEIA e da Coréia do Norte em mais de quatro anos. Segundo o chefe da agência da ONU, a visita foi "útil".
"A República Democrática Popular da Coréia (nome oficial da Coréia do Norte) também disse que está inteiramente comprometida com o acordo de 13 de fevereiro", disse Baradei, se referindo ao entendimento que permitiu a reaproximação do país asiático com a AIEA e o Ocidente.
"Especificamente, eles estão esperando que as sanções associadas com um Banco de Macau (onde milhões de dólares da Coréia do Norte estão bloqueados) sejam levantadas. Uma vez que isso ocorra, eles dizem que estão prontos para cooperar inteiramente e garantem que irão implementar o acordo dentro do prazo previsto, que é de 60 dias."
Pouco depois da declaração de Baradei, o Departamento do Tesouro americano anunciou o fim de uma investigação de 18 meses sobre o Banco de Macau.
As autoridades americanas decidiram não permitir que o banco tenha acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos, mas o fim da investigação deve abrir o caminho para que o dinheiro norte-coreano em Macau seja liberado.
Yongbyon
Os Estados Unidos se comprometeram a liberar as verbas como parte do acordo para paralisar o programa nuclear norte-coreano.
No acordo, os norte-coreanos concordaram em fechar um reator nuclear-chave em Yongbyon em troca de 50 mil toneladas de combustível.
Mais 950 mil toneladas de óleo combustível ou equivalente seriam disponibilizados quando o país desmantelasse permanentemente suas instalações nucleares.
O acordo foi bem recebido pela comunidade internacional, que estava especialmente preocupada após os testes de mísseis nucleares realizados pela Coréia do Norte em 2006.
No entanto, ainda nesta quarta-feira, a Coréia do Sul afirmou que ainda não viu nenhum sinal de que a Coréia do Norte esteja fechando o reator em Yongbyon.
"Não existe sinal de mudança na condição operacional em Yongbyon", disse o ministro do Exterior sul-coreano, Song Min-soon.