12 de março, 2007 - 20h40 GMT (17h40 Brasília)
O governo da Rússia confirmou que não vai entregar o combustível para o primeiro reator nuclear do Irã em março, como planejado.
Com isso o reator da usina de Bushehr não deve entrar em operação em setembro como previsto.
A Rússia alega que o problema é contratual e de pagamento: os iranianos estão com pagamentos atrasados. Mas os iranianos acusaram o governo russo de se submeter à pressão da comunidade internacional.
Segundo o correspondente da BBC Jonathan Marcus, Moscou está ciente das suscetibilidades envolvidas na venda de combustível nuclear para o Irã no momento em que o governo de Teerã ignora as exigências da ONU para paralisar o enriquecimento de urânio.
Projeto abandonado
A Rússia assumiu o fornecimento de combustível nuclear para a usina de Bushehr desde que uma empresa alemã abandonou o projeto.
O projeto continuava sendo tocado e estava próximo de sua conclusão, com a primeira entrega prevista para março, seis meses antes do início do funcionamento do reator.
Mas, segundo um porta-voz da Atomstroiexport (companhia russa que está supervisionando o acordo), isto não vai acontecer, resultando no atraso das operações do reator.
Segundo o correspondente da BBC, este não é apenas um problema comercial, pois a Atomstroiexport é, efetivamente, a agência do governo russo que supervisiona a venda de combustível nuclear para outros países.
Ele acrescenta que a indústria de exportações nucleares civis da Rússia ganharia muito em um acordo com o Irã, que quer abrir mais reatores no futuro.
Mas muitos analistas acreditam que, com a ONU considerando o Irã como um país que viola suas obrigações internacionais, seria inviável prosseguir com o acordo.