11 de março, 2007 - 14h54 GMT (11h54 Brasília)
A agência de notícias Associated Press (AP) criticou os militares americanos no Afeganistão que obrigaram jornalistas da empresa a apagarem imagens filmadas logo após um ataque suicida na semana passada.
A diretora executiva da AP, Kathleen Carroll , disse que a alegação americana para apagar as imagens, de que elas prejudicariam futuras investigações, "não são uma justificativa razoável".
"Jornalistas da AP no Afeganistão são profissionais treinados e reconhecidos… em sociedades democráticas, jornalistas legítimos podem trabalhar sem ter seu equipamento confiscado e as imagens, apagadas".
A AP diz que seus jornalistas filmaram um carro contendo três civis mortos, cerca de 100 metros distante da explosão do homem-bomba.
'Integridade investigativa'
Os americanos disseram que a divulgação das imagens poderia fazer com que o público chegasse a conclusões erradas sobre o ocorrido.
"Integridade investigativa é uma circunstância quando autoridades civis ou militares, relutantemente, exercitam o direito de controlar o que um jornalista pode documentar", disse o coronel Victor Petrenko, do comando americano no leste do Afeganistão, em uma carta para a AP.
Testemunhas na cidade de Jalalabad dizem que, após a explosão do homem-bomba, militares americanos dispararam em uma multidão de civis.
Oito pessoas morreram e 34 ficaram feridas por causa da reação dos americanos.
Protesto
A ONG Repórteres Sem Fronteiras condenou a maneira como eles lidaram com a imprensa.
"Por que os soldados fariam isso se não tinham nada para esconder?", questionou Jean François Julliard, porta-voz da organização, sediada em Paris.
O incidente envolvendo americanos levou centenas de pessoas às ruas de cidades do Afeganistão para protestar contra a morte dos civis.
Autoridades afegãs lançaram uma investigação sobre as circunstâncias do ataque.
Em nota oficial, o presidente Karzai condenou o incidente.