28 de fevereiro, 2007 - 23h50 GMT (20h50 Brasília)
No segundo dia de perdas nas principais bolsas internacionais, provocadas pela queda de 8,8% na bolsa de Xangai na terça-feira, o índice Dow Jones da Bolsa de Valores Nova York mostrou sinais de recuperação nesta quarta-feira.
Depois de ter registrado queda de 416 pontos (ou 3,3%) na terça-feira, o principal indicador do mercado de ações dos Estados Unidos fechou em alta de 0,43% nesta quarta-feira, em 12.268,63 pontos.
Apesar de notícias sobre o declínio nas vendas do mercado imobiliário dos Estados Unidos e da revisão para baixo das estimativas de crescimento da economia americana, o índice Dow Jones chegou a subir a um pico de 137 pontos durante o dia, antes de recuar e fechar com alta de 52,39 pontos.
Os mercados americanos foram acalmados ainda por declarações do presidente do Fed (Banco Central americano), Ben Bernanke, que disse que suas expectativas de crescimento econômico moderado nos Estados Unidos não mudaram apesar da instabilidade nos mercados nos últimos dias.
O Brasil também mostrou sinais de recuperação. Depois de cair 6,6% na terça-feira - a pior baixa desde o 11 de Setembro de 2001 -, o índice Bovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou nesta quarta-feira em alta de 1,73%.
Europa e Ásia
Nos mercados europeus, a quarta-feira ainda foi de perdas. O índice FTSE 100 da Bolsa de Londres fechou em baixa de 114,6 pontos, ou 1,8%, em 6.171,5 pontos.
Na França, o índice Cac 40 caiu 1,3%. O Dax, da Alemanha, fechou em queda de 1,5%.
Mais cedo, os mercados na Ásia, na Austrália e na Índia também registraram novas perdas nesta quarta-feira.
No Japão, o índice Nikkei 225 caiu 2,9%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, teve queda de 2,5%.
Na Austrália, o principal índice chegou a cair 3,5% durante o pregão de quarta-feira, até fechar em queda de 2,7%. O índice Sensex da bolsa indiana caiu mais de 3,8%.
China
No entanto, na bolsa de Xangai, cuja queda na terça-feira provocou a onda de perdas nos mercados internacionais, o índice Shanghai Composite fechou em alta de 3,9%.
A queda da terça-feira foi atribuída ao temor de que o governo chinês eleve as taxas sobre investimentos financeiros, em uma tentativa de aumentar a transparência das negociações no mercado e conter a especulação financeira.
Apenas nos últimos 12 meses, o preço das ações na principal cidade capitalista da China continental subiu 130%, e o Shanghai Composite ultrapassou 3 mil pontos pela primeira vez na história.
Para conter a crise, autoridades chinesas negaram planos de elevar as taxas sobre investimentos financeiros, mas anunciaram a criação de uma comissão para verificar a procedência dos recursos que são investidos nas bolsas.
Projeções
Muitos investidores se perguntam até que ponto e por quanto tempo as perdas irão continuar.
Antes das perdas de terça-feira, os recordes registrados em preços de ações e índices em diversos mercados levaram alguns analistas a temer que as ações tenham subido muito e rápido demais.
"Nós já esperávamos algum tipo de correção. Mas é um pouco surpreendente que tenha ocorrido ao mesmo tempo (em diversas partes do mundo)", disse James Hong, da Dresdner Kleinwort.
Alguns analistas temem que as perdas nos preços das ações prossigam por semanas, e não apenas alguns dias.