27 de fevereiro, 2007 - 12h57 GMT (09h57 Brasília)
Promotores no Tribunal Penal Internacional da ONU apontaram um ministro e um líder de milícia que eles suspeitam ser responsáveis por crimes de guerra na região de Darfur, no Sudão.
Ahmed Haroun, do Ministério dos Negócios Humanitários, e o líder da milícia Janjaweed Ali Muhmmad Ali Abd al-Rahman - também conhecido como Ali Kushayb, foram apontados pelo tribunal em Haia, na Holanda.
Cerca de 200 mil pessoas morreram e mais de dois milhões tiveram que abandonar suas casas durante o conflito que já dura quatro anos.
O Sudão rejeita a autoridade do Tribunal Penal Internacional, afirmando que a Justiça do país pode julgar os suspeitos.
Crimes
Haroun era o Ministro do Interior no auge do conflito.
Ali Kushayb estava envolvido com ataques a vilarejos perto de Mujkar, Bindisi e Garsil.
O promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional da ONU, Luis Moreno Ocampo, pediu aos juizes do pré-julgamento que convoquem os dois afirmando que existem razões para acreditar que os suspeitos "têm responsabilidade criminal por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos em Darfur em 2003 e 2004".
O promotor afirmou que os homens são suspeitos de 51 acusações de crimes de guerra.
Ocampo deve revelar mais provas em uma entrevista coletiva nesta terça-feira.
O promotor-chefe examinou provas reunidas por uma equipe investigativa da ONU durante dois anos depois que o Conselho de Segurança votou a favor de entregar ao promotor uma lista de 51 nomes de suspeitos de crimes contra a humanidade.
Segundo ele, os crimes investigados incluem mortes, torturas, estupros, saques, perseguições e deslocamento forçado.
Governo
Um ex-grupo rebelde, o Movimento de Libertação do Sudão, afirmou que pode cooperar com o processo se o tribunal for justo e imparcial.
"Qualquer indivíduo no movimento que é acusado deve se entregar e provar sua inocência frente ao judiciário, seja dentro ou fora do Sudão", disse o vice-líder Al-Rayah Mahmud, ao jornal sudanês Al-Watan.
Vários relatórios internacionais e especialistas ligaram diretamente as atividades brutais dos Janjaweed ao governo central do Sudão em Cartum.
O correspondente da BBC na capital sudanesa Jonah Fisher afirmou que ataques conjuntos em vilarejos foram bem documentados e existem poucas dúvidas de que as milícias receberam armas e veículos para lutar contra rebeldes.
O presidente sudanês Omar al-Bashir nega envolvimento e diz que o nível do conflito na região foi exagerado pelos Estados Unidos e pelo ocidente.