22 de fevereiro, 2007 - 09h56 GMT (07h56 Brasília)
O plano do primeiro-ministro britânico Tony Blair de retirar 1,6 mil soldados do Iraque nos próximos meses foi elogiado pelo presidente iraquiano, Jalal Talabani.
O porta-voz de Talabani disse que a retirada será um “bem-vindo catalisador para que as forças iraquianas sejam obrigadas a assumir a responsabilidade pela segurança” do país.
Blair anunciou nesta quarta-feira que vai reduzir o número de tropas britânicas no Iraque de 7,1 mil para 5,5 mil até o final do verão europeu. As tropas que permanecerem no país irão dar apoio e treinamento aos iraquianos, além de ajudar a patrulhar as fronteiras.
O conselheiro de Segurança Nacional do Iraque, Mowaffak al-Rubaie, elogiou os esforços do Exército britânico, mas disse que gostaria que a retirada acontecesse mais rápido.
“Nós esperávamos que o processo fosse acelerado, ao invés de mais ser mais espaçado”, disse al-Rubaie em entrevista à BBC.
Reações
O ministro da Defesa britânico, Des Browne, disse que, no final do verão, o governo deverá rever o número de tropas sendo retiradas.
O comandante britânico em Basra, general Jonathan Shaw, afirmou que os planos são um reconhecimento do aumento da capacidade do Exército iraquiano, mas não uma declaração de sucesso.
Segundo ele, a retirada vai reduzir o nível de violência em Basra, já que 90% dos crimes seriam direcionados contra as tropas britânicas.
O anúncio de Blair também repercutiu entre os americanos, os maiores aliados dos britânicos no Iraque.
John Bolton, ex-embaixador americano nas Nações Unidas, disse à BBC que a decisão de Blair é um passo na direção certa.
“Essa decisão foi baseada na necessidade de estabelecer mais segurança no sul do Iraque e ter um governo iraquiano com um papel maior”, disse Bolton.
Estados Unidos
A proposta de reduzir as tropas britânicas acontece ao mesmo tempo em que os Estados Unidos estão mandando mais 21,5 mil soldados para o Iraque.
Os opositores do presidente americano George W. Bush dizem que isso mostra que os britânicos estão se distanciando da política americana. Já a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou que a coalizão “continua intacta”.
Para o correspondente da BBC em Bagdá, David Loyn, os planos britânicos mostram pela primeira vez “uma divergência real” entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha sobre o Iraque.
“A razão pela qual os britânicos podem sair é que agora existem forças iraquianas que eles consideram fortes o suficiente”, disse Loyn.
“Mas Basra ainda é, nas palavras de Tony Blair, um lugar difícil e perigoso, o que significa que isso está longe da vitória que eles esperavam em 2003, mas é algo, eles esperam, menor do que uma derrota total”, disse.