21 de fevereiro, 2007 - 19h50 GMT (17h50 Brasília)
O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, apresentou nesta quarta-feira sua renúncia ao cargo, depois que uma moção em apoio a sua política externa foi rejeitada pelo Senado em Roma.
A renúncia foi confirmada em uma nota divulgada pelo gabinete do presidente, Giorgio Napolitano, que recebeu o pedido de Prodi.
Napolitano ainda não anunciou o que pretende fazer. Ele pode pedir a Prodi que se submeta a um voto de confiança no Parlamento; pode pedir a ele ou a outra pessoa a formação de um novo gabinete ou pode dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.
Segundo a nota, Napolitano deve realizar reuniões com líderes partidários e parlamentares nesta quinta-feira para discutir os próximos passos.
Debate
A moção rejeitada pelo Senado apresentava as diretrizes da política externa italiana e foi defendida em plenário pelo chanceler, Massimo D’Alema, antes da votação.
No entanto, partidos da base de sustentação do governo se opõem a aspectos da política externa do país, como a presença dos cerca de dois mil soldados italianos no Afeganistão, e ajudaram a derrubar a moção.
A ampliação de uma base aérea utilizada pelos Estados Unidos na cidade de Vicenza, no norte do país, também é motivo de discórdia entre os governistas.
D’Alema disse antes da votação que o sim à moção seria uma prova da unidade da coalizão de governo. Ele também disse que todo o gabinete de centro-esquerda de Prodi poderia renunciar se ela fosse rejeitada.
A proposta precisava de 160 votos para ser aprovada, mas apenas 158 senadores votaram a favor, e 136 votaram contra.
Fragilidade
Segundo analistas, o resultado da votação no Senado mostrou a fragilidade do poder de Prodi, poucas semanas depois de dois ministros comunistas e um do Partido Verde terem se afastado do governo por causa de uma votação ministerial sobre o envolvimento italiano no Afeganistão.
A diversificada coalizão que apóia Prodi, que reúne políticos de ideologias bastante distintas, tem uma maioria de apenas uma cadeira no Senado italiano.
O Afeganistão e a ampliação da base em Vicenza têm sido motivo de muito debate na Itália.
Na semana passada, milhares de pessoas tomaram as ruas de Vicenza em protesto contra a proposta de ampliação, que havia sido aprovada pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi, antecessor de Prodi.