19 de fevereiro, 2007 - 19h05 GMT (17h05 Brasília)
Os governos indiano e paquistanês disseram que o ataque a um trem no norte da Índia que deixou pelo menos 66 mortos vai apenas fortalecer a sua disposição em avançar no processo de paz.
Líderes dos dois países definiram o ataque ao trem, atingido por duas explosões neste domingo, como um "um ato de terrorismo" com o objetivo de prejudicar a reaproximação entre eles.
"Atos de terrorismo cruéis como esse vão apenas servir para fortalecer ainda mais a nossa determinação de alcançar o objetivo comum da paz sustentável", afirmou o presidente paquistanês, Pervez Musharraf.
O premiê indiano, Manmohan Singh, por sua vez, prometeu que os responsáveis serão punidos.
Caxemira
A reação dos dois governos sugere que os principais suspeitos são grupos militantes islâmicos que são contra o domínio da Índia, predominantemente muçulmana, sobre a Caxemira, de maioria muçulmana.
A região já levou Índia e Paquistão, ambos munidos de arsenais nucleares, a duas guerras desde 1947.
Um alto funcionário do Ministério do Interior indiano disse à agência de notícias Associated Press, no entanto, que nenhuma possibilidade foi eliminada - dos separatistas da Caxemira a grupos extremistas hindus.
As explosões ocorreram às vésperas de uma viagem do ministro do Exterior do Paquistão, Khurshid Kasuri, a Déli para se reunir com líderes indianos. Kasuri disse que não mudaria a visita por causa do suposto ataque.
As investigações iniciais indicam que as explosões foram causadas por bombas escondidas - junto com garrafas de gasolina para dar ignição - dentro de malas.
'Expresso da Amizade'
O trem, que saíra de Nova Déli rumo a Lahore, no Paquistão, foi atingido por duas explosões à meia-noite de domingo (16h30 em Brasília), quando passava perto de Panipat, a 80 km ao norte de Nova Déli.
Chamado de Expresso da Amizade, o trem liga Índia e Paquistão e havia sido suspenso por dois anos até ser retomado em 2004, como parte do processo de paz.
Acredita-se que três quartos dos 750 passageiros a bordo eram paquistaneses. Da mesma forma, a maioria das vítimas era do Paquistão.