13 de fevereiro, 2007 - 14h27 GMT (12h27 Brasília)
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse em entrevista à rede de TV americana ABC que está disposto a discutir o programa nuclear iraniano desde que os direitos do país sejam respeitados.
"Nós estamos sempre dispostos a conversar (sobre o programa nuclear) dentro do âmbito das regulamentações e desde que os direitos da nação humana sejam garantidos", afirmou Ahmadinejad, na entrevista transmitida nesta terça-feira.
O presidente iraniano disse considerar a proliferação de armas nucleares coisa do passado.
"A nossa posição é clara, ou seja, nós nos opomos à toda proliferação de armas de destruição em massa e de armas nucleares. Nós acreditamos que o tempo das armas nucleares acabou."
Segundo ele, o Irã está disposto a discutir o programa nuclear "dentro do regulamento em vigor".
A ABC já havia divulgado na segunda-feira outras declarações feitas na rara entrevista de Ahmadinejad a uma emissora americana, incluindo a sua afirmação de que não teme um ataque americano ao seu país.
"Medo? Por que nós deveríamos ter medo? Primeiro, a possibilidade é muito pequena", afirmou Ahmadinejad.
Em outro trecho divulgado nesta terça-feira, ele nega esteja tentando entrar em confronto com os Estados Unidos e afirma que o Irã "está tentando encontrar maneiras de amar as pessoas".
Iraque
O presidente iraniano disse ainda na entrevista que um eventual ataque seria "severamente punido", mas ressalvou que considera difícil que isso aconteça porque "pessoas sábias" nos Estados Unidos impediriam o governo de adotar "ações ilegais".
A transmissão da entrevista nos Estados Unidos é feita dois dias depois de Washington acusar agentes iranianos de contrabandear armas para grupos insurgentes xiitas no Iraque.
Questionado diversas vezes sobre as acusações, o líder iraniano disse apenas que elas são "desculpas para prolongar a permanência" das forças americanas no Iraque e que têm de ser provadas na Justiça.
Ahmadinejad também atacou a presença de forças estrangeiras lideradas pelos Estados Unidos no Iraque e disse que a instabilidade no país é prejudicial à toda a região.
"Não deveria haver estrangeiros no Iraque", disse o presidente iraniano. "Nós nos afastamos de qualquer tipo de conflito, qualquer tipo de derramamento de sangue. É por isso que nós nos opomos à presença dos americanos", acrescentou.
Para o presidente do Irã, os Estados Unidos estão lançando acusações contra terceiros para tentar "esconder suas próprias derrotas e falhas".
O governo do presidente George W. Bush nega ter planos de invadir o Irã, mas já indicou que está disposto a usar a força militar para conter a suposta inteferência iraniana no conflito no Iraque.
As alegações dos americanos de que bombas foram contrabandeadas do Irã para o Iraque, corroboradas com fotografias dos explosivos apresentadas a jornalistas, não puderam ser verificadas de forma independente.