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12 de fevereiro, 2007 - 11h09 GMT (09h09 Brasília)

Premiê da Austrália critica candidato democrata dos EUA

O primeiro-ministro da Austrália, John Howard, afirmou que a rede Al-Qaeda deveria "rezar quantas vezes for possível" por uma vitória do pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama.

Howard criticou a opinião do democrata Obama – que anunciou no sábado a entrada na disputa pela candidatura do partido, ao lado da senadora Hillary Clinton – que afirmou que as tropas americanas deveriam deixar o Iraque já em março do ano que vem.

Obama rebateu dizendo que se o primeiro-ministro da Austrália está tão preocupado com o assunto, deveria aumentar o número de tropas australianas no Iraque. Caso contrário, as palavras dele seriam apenas "um punhado de retórica vazia".

Segundo o correspondente da BBC em Sydney, Nick Bryant, Howard é conhecido por "dar um boi para não entrar, mas dar uma boiada para não sair de uma briga".

Bryant destacou, no entanto, que essa é a primeira vez que ele compra briga com um político de outro país.

'Torcida por Obama'

Howard disse que a posição de Obama sobre o Iraque "só incentiva aqueles que querem desestabilizar completamente e destruir o país, além de criar caos e uma esperança para os terroristas torcerem por uma vitória de Obama".

"Se eu fosse o líder da Al-Qaeda no Iraque, eu marcaria um círculo em torno de março de 2008 e rezaria quantas vezes fosse possível por uma vitória não só de Obama, mas dos democratas".

Howard acrescentou que qualquer retirada de tropas americanas até março de 2008 – a data citada por Obama como ideal – significaria uma derrota para Washington.

Uma derrota americana, na opinião de Howard, vai pôr um fim às esperanças de paz nos territórios palestinos e causar instabilidade em países como a Arábia Saudita e a Jordânia.

As declarações do australiano parecem ter ferido a regra não-escrita da diplomacia que condena a intervenção política em outros países, segundo o correspondente Bryant.

Obama disse ter ficado "lisonjeado" com o ataque do australiano, por considerá-lo um "aliado de George W. Bush".