02 de fevereiro, 2007 - 13h45 GMT (11h45 Brasília)
O enviado especial da ONU para Kosovo apresentou nesta sexta-feira um plano que propõe que a província tenha permissão para se separar da Sérvia.
O relatório do ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari não cita a palavra "independência", mas esta é virtualmente a oferta, segundo declarações de diplomatas à BBC.
A região ainda é considerada uma província sérvia e é administrada pela ONU desde 1999, quando uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reprimiu uma operação sérvia contra separatistas albaneses.
Forças de paz internacionais em Kosovo reforçaram a segurança às vésperas da apresentação do plano por Ahtisaari em Belgrado, para autoridades sérvias.
Albaneses
As negociações para determinar o status da província já duram anos sem que os dois lados cheguem a um acordo.
A população de etnia albanesa compreende 90% dos 2 milhões de habitantes da província.
Segundo a ONU, mais de 220 mil pessoas que não têm origem albanesa estão vivendo como refugiados internos na Sérvia e Montenegro.
E a maioria albanesa quer, em sua maioria, a independência da Sérvia.
Sérvios afirmam que a província - que ainda é oficialmente parte da Sérvia - é o berço de sua cultura e são contra qualquer solução que levaria à independência de Kosovo.
Supervisão
O plano de Ahtisaari fala em "independência sujeita à supervisão internacional", segundo um diplomata ocidental que não quis ser identificado.
Kosovo teria seus próprios símbolos nacionais, como bandeira e hino, e direito de representação em organizações internacionais, como a ONU.
Mas não seria uma independência incondicional.
Um "representante da comunidade internacional" seria designado, com poderes de intervenção caso Kosovo tente ir além do que permite o plano. Forças da Otan e da União Européia permaneceriam exercendo os papéis militares e de polícia.
Kosovo não poderia ser dividida entre área sérvia e de etnia albanesa e também não poderia ter permissão para se junta a qualquer outro Estado - o que implicitamente descarta a criação de uma "grande Albânia".
Os interesses dos sérvios em Kosovo, incluindo a Igreja Ortodoxa da Sérvia e o idioma, seriam protegidos de forma explícita e haveria uma representação sérvia garantida no Parlamento, polícia e serviço público.
Ahtisaari apresentou seu plano para o presidente sérvio Boris Tadic em Belgrado. Mas o premiê sérvio, Vojislav Kostunica, que é contra a independência de Kosovo, não se encontrou com o enviado da ONU.
Ainda nesta sexta-feira Ahtisaari vai até Kosovo para mostrar o plano para líderes da etnia albanesa.