27 de janeiro, 2007 - 20h16 GMT (18h16 Brasília)
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu um "bom pacto de governança" na República Democrática do Congo.
"Gostaria de convidar para trabalhar em um pacto com vocês mesmos e o povo que vocês representam além de todos os parceiros internacionais", disse.
Ban Ki-Moon fez um discurso no Parlamento do país no início de sua viagem de cinco dias pela África - sua primeira desde que assumiu o cargo no início de janeiro.
A viagem do secretário-geral deve passar pelo Sudão, onde ele participa de uma reunião da União Africana (UA), pela Etiópia e Quênia.
Força de paz
A República Democrática do Congo tem a maior força de paz da ONU em todo o mundo.
A força de paz mantida pela entidade no Congo tem cerca de 17 mil soldados – a maior em atividade no mundo. Ki-moon considera que ainda não é o momento para se cogitar a retirada das tropas.
O país ainda está saindo de uma sangrenta guerra civil.
Ban Ki-Moon disse à Assembléia Nacional do país, em meio a aplausos, que as eleições de 2006 no país foram uma verdadeira fonte de esperança para a África - mas a tarefa de reconstrução do Congo ainda é enorme.
O secretário-geral acrescentou que não se pode ter democracia sem justiça.
"Para ser uma democracia saudável e próspera, é necessária uma oposição política verdadeira na qual todos possam se expressar livremente e sem medo de intimidações", disse Ban Ki-Moon aos legisladores.
"Este seria um bom pacto de governança, pois restaurar a autoridade do Estado e assegurar a primazia da lei em todo o país é indispensável para consolidar a paz e a democracia", afirmou o secretário-geral, pedindo a cooperação dos políticos.
Darfur
Na próxima segunda-feira, na capital da Etiópia, Addis Abeba, Ban Ki-moon deve se encontrar com o presidente sudanês, Omar Al-Bashir, durante o encontro da União Africana.
A correspondente da BBC disse que Al-Bashir aceitou a proposta de uma força conjunta da ONU e da UA na região de Darfur. O Sudão vinha se recusando a aceitar essa proposta.
"Estou muito preocupado com a violência contínua e o sofrimento dos civis da região", afirmou Ban Ki-moon. "Já é hora de tomarmos providências e ter progressos concretos", disse.
Nos últimos quatro anos de conflito na área, cerca de 200 mil pessoas morreram e pelo menos 2 milhões foram desalojadas.