25 de janeiro, 2007 - 17h25 GMT (15h25 Brasília)
Parlamentares israelenses aprovaram, em uma votação apertada, um pedido de licença do presidente Moshe Katsav, que enfrenta acusações de ter cometido diversos crimes, entre eles estupro.
Por 13 votos contra 11, uma comissão do Knesset (Parlamento) declarou Katsav, de 61 anos, "temporariamente incapacitado" por três meses.
A medida deverá salvar o presidente até o procurador-geral Menachem Mazuz decidir se inicia o que seria um processo criminal sem precedentes contra um chefe de Estado israelense.
Mazuz disse na terça-feira que pretende indiciar Katsav por crimes que incluem estupro, intimidação sexual, obstrução da justiça e fraude. A acusação de estupro, que pode ser punido com até 16 anos de cadeia em Israel, refere-se a uma funcionária na época em que Katsav era ministro de Turismo.
Como presidente, Katsav tem imunidade legal - uma condição que mantém mesmo com a suspensão aprovada nesta quinta-feira.
Pressão por impeachment
Mas existe a crescente pressão para que ele renuncie ao cargo e também medidas de legisladores para entrar com o processo de impeachment.
Para ser julgado antes do fim do seu mandato, em julho, Katsav precisa renunciar ou ser destituído por meio de impeachment (que exige apoio de 3/4 do Parlamento).
O caso abalou a política de Israel e levou o primeiro-ministro Ehud Olmert a defender publicamente a renúncia do presidente.
Na quarta-feira Katsav negou as acusações, descrevendo as alegações como "calúnia, difamação, mentiras".
"A lei não me obriga a renunciar. Não vou ceder à chantagem", disse.
A porta-voz do Parlamento de Israel, Dalia Itzik, vai assumir os deveres cerimoniais de Katsav.