18 de janeiro, 2007 - 09h23 GMT (07h23 Brasília)
Três importantes senadores americanos - dois integrantes do Partido Democrata e um do Partido Republicano - concordaram em uma resolução para se opor ao plano do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de aumentar o número de soldados no Iraque.
O grupo, formado pelos democratas Joseph Biden e Carl Levin e o republicano Chuck Hagel, disse que o plano não atende aos interesses americanos, e pediu que o controle sobre a segurança do Iraque seja transmitida mais cedo para os líderes do país.
Apesar de pertencer ao mesmo partido do presidente, Hagel é um conhecido crítico da guerra no Iraque.
As declarações são tomadas num momento em que os democratas - que controlam o Congresso - começaram a se movimentar internamente para colocar obstáculos ao envio de tropas.
Mas a Casa Branca disse que Bush vai continuar com seu plano.
Pela nova estratégia anunciada na semana passada, Bush quer enviar um contingente extra de mais de 20 mil soldados para o Iraque, a maioria para a capital, Bagdá, onde a violência é intensa, para tentar melhorar a segurança e por fim a choques sectários.
'Sem apoio'
"Não é do interesse nacional dos Estados Unidos aprofundar seu envolvimento militar no Iraque", disse a resolução dos três senadores.
"Os Estados Unidos deveriam transferir, com um cronograma apropriado, responsabilidade pela segurança interna e fim da violência sectária no Iraque para o governo do Iraque e forças de segurança iraquianas."
O senador Biden disse que a presença americana no Iraque só pode ser sustentada com o apoio de americanos e o endosso do Congresso.
"Não há apoio para a política do presidente do Iraque", disse ele. "Quanto mais cedo ele reconhecer essa realidade e agir de acordo com ela, será melhor para todos nós."
Um outro senador republicano, Olympia Snowe, assinou depois a resolução, que pode ser apresentada para votação nas próximas duas semanas.
O correspondente da BBC em Washington, James Coomarasamy, disse que a resolução não terá efeito de legislação, mas poderá ser uma forma de catalizar a oposição de senadores que se opõem ao plano de Bush sem ter que fazer nada que possa expô-los à acusações de colocar em risco tropas americanas.
Democratas também intensificaram esforços para minar Bush.
O senador Christopher Dodd apresentou uma proposta que exigiria aprovação do Congresso para um aumento de tropas no Iraque. Na Câmara dos Representantes, uma proposta de três democratas pede a retirada dos soldados americanos do país dentro de seis meses.
E um potencial candidato para a indicação democrata à Presidência, a senadora Hillary Clinton, disse que ela se opõe à escalada militar e pediu um imite na presença de tropas no Iraque.
Ao invés disso, Hillary Clinton disse que os soldados americanos deveriam ser enviados ao Afeganistão. "Vamos nos concentrar no Afeganistão e acertar lá."
Mas a Casa Branca continua a argumentar que o Congresso tem pouco espaço para manobra porque os recursos para o aumento de tropas proposto pelo presidente já foram aprovados, disse Coomarasamy.
"Vai piorar"
Bush, por sua vez, passou a quarta-feira em reuniões com parlamentares republicanos céticos em uma tentativa de angariar apoio para o envio de soldados.
O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse que resoluções do Congresso não afetarão a forma como Bush pensa.
"O presidente tem obrigações como um comandante-em-chefe", disse ele. "E ele vai levá-las avante e executá-las."
Na terça-feira, Bush defendeu seu plano em uma entrevista televisionada, dizendo que os Estados Unidos devem aumentar seu envolvimento no Iraque para que a violência não escale e fuja ao controle.
Para Bush, sem a ajuda americana a situação no Iraque "vai ficar muito pior".
No Iraque, na quarta-feira, pelo menos 15 pessoas foram mortas e mais de 30 ficaram feridas em um ataque suicida com um carro-bomba em um mercado movimentado no distrito xiita de Cidade Sadr.
O ataque ocorreu poucas horas depois que pelo menos sete policiais e civis morreram quando um caminhão explodiu perto de uma delegacia no norte da cidade de Kirkuk.
Na terça-feira, mais de 70 pessoas morreram em dois atentados a bomba em uma universidade em um distrito xiita de Bagdá.