18 de janeiro, 2007 - 14h11 GMT (12h11 Brasília)
Frances Harrison
De Teerã
O Irã ofereceu aos Estados Unidos um pacote de concessões em 2003 para por fim às hostilidades entre os dois países, mas a oferta foi rejeitada, segundo uma ex-autoridade americana.
Em uma entrevista à BBC, Lawrence Wilkerson, ex-assessor do então secretário de Estado americano Colin Powell, disse que o governo iraniano propôs o fim do apoio a grupos militantes palestinos e libaneses e ajuda para estabilizar o Iraque depois da invasão liderada pelos Estados Unidos.
A oferta, que incluía mais transparência em seu programa nuclear, tinha como condição o fim das hostilidades dos Estados Unidos.
Mas o gabinete do vice-presidente Dick Cheney rejeitou o plano, segundo Wilkerson.
Carta
A oferta foi feita em uma carta, vista pela BBC, que não foi assinada mas que o Departamento de Estado americano aparentemente acreditava ter sido aprovada pelas mais importantes autoridades iranianas.
Em troca das concessões, o Irã pediu que os Estados Unidos acabassem com as hostilidades e sanções contra o país e que também dissolvessem o grupo rebelde iraniano no exílio Muhahedeen-e-Khalq e repatriassem seus integrantes.
O ex-líder iraquiano Saddam Hussein tinha permitido que o grupo rebelde iraniano criasse sua base no Iraque, colocando o grupo sob o poder dos Estados Unidos depois da invasão em 2003.
Wilkerson - que era um dos assistentes mais importantes de Colin Powell - afirmou que o Departamento de Estado americano tinha gostado do plano, mas instâncias superiores acabaram rejeitando a idéia.
"Pensamos que era um momento muito propício para fazer aquilo. Mas assim que (a oferta) chegou à Casa Branca, e assim que chegou ao gabinete do vice-presidente, o velho mantra de 'Nós não conversamos com o Mal'... se reafirmou", disse.
Observadores afirmam que as concessões oferecidas pelo Irã há quase quatro anos são bem parecida com que Washington está exigindo de Teerã atualmente.
Desde aquela época, o grupo militante libanês Hezbollah causou perdas militares significativas ao maior aliado dos Estados Unidos na região, Israel, no conflito de 2006 e agora goza de mais poder político no Líbano.
O grupo militante palestino Hamas chegou ao poder nas eleições parlamentares há um ano, abrindo um novo capítulo de conflito na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
O Conselho de Segurança da ONU impôs sanções ao Irã depois de sua recusa em suspender o seu programa de enriquecimento de urânio.
O Irã nega as acusações dos Estados Unidos de que seu programa nuclear visa a produção de armas.