16 de janeiro, 2007 - 13h15 GMT (11h15 Brasília)
Começa nesta terça-feira o julgamento de Lewis Libby, um ex-assessor da Casa Branca acusado de obstruir uma investigação sobre o vazamento da identidade de uma agente da CIA (Agência de Inteligência Americana).
A expectativa é de que o processo revele as manobras internas da Casa Branca para justificar a invasão do Iraque, em 2003.
A acusação vai tentar mostrar que Libby mentiu a investigadores sobre seu papel na revelação da identidade de Valerie Plame.
Sua defesa vai alegar que ele não tinha motivos para se envolver no caso e deve convocar o vice-presidente Dick Cheney para testemunhar.
Caso Cheney compareça ao tribunal, seria a primeira vez na história que um vice-presidente americano testemunharia em um tribunal criminal.
Vazamento
Há mais de três anos, o promotor público Patrick Fitzgerald começou a investigação do caso da revelação da identidade de Valerie Plame a vários importantes jornalistas de Washington.
Sua ligação com a CIA foi revelada em uma coluna do jornalista Robert Novak em julho de 2003.
A coluna foi publicada apenas oito dias após o marido de Plame, o ex-diplomata Joseph Wilson, ter escrito no jornal americano The New York Times que uma das principais razões para a invasão do Iraque não tinha fundamento.
Wilson escreveu que foi enviado a Níger para descobrir se Saddam Hussein tentou comprar componentes para a fabricação de armas nucleares no país africano.
Ele disse não ter encontrado evidências em relação à suspeita - mas que o presidente George W. Bush ignorou suas descobertas e fez a afirmação em um pronunciamento à nação antes da invasão do Iraque.
Wilson acusou a Casa Branca de vazar a conexão de Plame com a CIA para acabar com a reputação dele ou como vingança por suas críticas.
A Casa Branca rejeita as alegações.
Fitzgerald nunca acusou ninguém por causa do vazamento, mas após dois anos interrogando funcionários da Casa Branca e jornalistas de Washington, ele acusou Libby por mentir aos investigadores sobre conversas que teve com jornalistas.
Libby renunciou ao cargo de chefe de gabinete do vice-presidente dos EUA após ter sido acusado, no fim de 2005, dizendo estar seguro de que será "completamente e totalmente inocentado".
O ex-assessor está sendo acusado de perjúrio, obstrução da Justiça e por dar declarações falsas.
Se for considerado culpado de todas as acusações, Libby pode ser condenado a até 30 anos de prisão e obrigado a pagar uma multa de até US$ 1,25 milhões (cerca de R$ 2,7 milhões).
Fonte revelada
Richard Armitage, que era vice d Colin Powell quando este era o secretário de Estado americano, admitiu que ele foi a fonte do vazamento a Novak.
Renomados jornalistas de Washington, como Bob Woodward, do Washington Post, e Tim Russert, do canal de televisão NBC, também devem testemunhar durante o julgamento.
A defesa de Libby vai alegar que ele estava muito ocupado com assuntos de segurança nacional - ele era o assessor de segurança nacional de Cheney, além de ser chefe de gabinete - para lembrar dos detalhes de suas conversas com jornalistas meses após elas terem ocorrido.
Cheney classificou Libby de "um dos homens mais honestos que eu conheço", durante uma entrevista a um canal de TV antes do início do julgamento.
O vice-presidente se recusou a dizer se vai testemunhar pessoalmente ou por meio de um vídeo gravado.
Especialistas dizem que o desafio da acusação será manter o julgamento focado nas afirmações que Libby teria feito ou não aos investigadores, já que já foi revelado que Armitage foi a verdadeira fonte do vazamento.
O julgamento deve durar cerca de seis semanas.