15 de janeiro, 2007 - 19h53 GMT (17h53 Brasília)
O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, admitiu nesta segunda-feira ter cometido um "grande erro" ao acreditar que avanços pudessem ser feitos nas negociações de paz com o grupo separatista basco ETA.
Zapatero disse ter previsto uma melhora no processo de paz um dia antes de um ataque a bomba no dia 30 de dezembro, cuja autoria foi atribuída ao ETA.
O premiê pediu por "um grande consenso democrático contra o terrorismo".
"Apesar de não ser freqüente entre os líderes públicos, eu quero admitir a todos os cidadãos espanhóis o erro evidente que eu cometi", disse Zapatero durante uma sessão especial do parlamento espanhol.
"O ETA desperdiçou a oportunidade de contribuir... para um futuro melhor para todo mundo, e com esta decisão o ETA tenta prolongar a atividade criminal que já dura mais de quatro décadas", disse o premiê.
Palavras X armas
O primeiro-ministro disse também que o ETA violou o processo de paz acertado em março e que um diálogo não é possível enquanto o grupo estiver envolvido com atos violentos.
Por outro lado, Zapatero disse esperar que o ETA aceite o quanto antes o fato de que palavras são superiores a armas.
Ele também pediu unidade entre os principais partidos espanhóis, dizendo que esta é a melhor maneira de superar o problema.
No último sábado, mais de 200 mil pessoas participaram de protestos na Espanha contra a explosão que matou dois migrantes equatorianos no aeroporto de Barajas, em Madri.
As mortes foram as primeiras atribuídas ao grupo separatista em mais de três anos.
O ETA - que declarou um cessar-fogo permanente em março - luta por um estado independente no norte da Espanha e sudoeste da França.