15 de janeiro, 2007 - 17h31 GMT (15h31 Brasília)
O presidente eleito Rafael Correa assumiu nesta segunda-feira o governo do Equador com a intenção de convocar um referendo para decidir sobre uma Constituinte no país.
"(...) Em uso das atribuições que a atual Constituição Política do Estado me confere, convocarei a consulta popular para que o soberano povo equatoriano ordene ou negue a esta Assembléia Nacional Constituinte (...) que busque superar o bloqueio político, econômico e social em que este país se encontra", disse em seu discurso de posse.
Ele destacou a necessidade de se lutar contra a corrupção, "mal enraizado" na sociedade equatoriana, "mas também exacerbado por modelos, políticas e doutrinas que elogiaram o egoísmo (...) e a ganância como o motor do desenvolvimento social".
Correa, que terá um mandato de quatro anos, também afirmou que o sistema político do país é "um sistema perverso que destruiu nossa democracia, nossa economia e nossa sociedade".
Referendo
O novo presidente equatoriano também disse que um tribunal internacional deveria decidir a legitimidade dos pagamentos de dívidas, alguns, segundo ele, "corruptos".
Para Correa, a renegociação da dívida do Equador deve ser "soberana e firme".
Em entrevistas à imprensa estrangeira, o equatoriano tem adotado um tom mais ameno, mas em discursos ao público interno o tom é mais radical, dizendo que "os compromissos nacionais estão à frente dos internacionais".
Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participaram da cerimônia de posse de Correa os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales, do Chile, Michelle Bachellet, do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, do Peru, Alan Garcia, da Colômbia, Álvaro Uribe, da Nicarágua, Daniel Ortega e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
Correa - um economista de esquerda de 43 anos que foi ministro da Fazenda durante três meses no governo do seu antecessor, Alfredo Palacio - foi eleito no segundo turno, em 26 de novembro do ano passado, com 56% dos votos válidos, depois de ficar em segundo lugar no primeiro turno.
Os últimos três presidentes eleitos do equador foram retirados do poder pelo Congresso após protestos populares.
Posse indígena
No domingo, numa cerimônia de posse indígena, Correa disse que fará "um governo dos indígenas" e que a América Latina vive uma época de mudanças.
Ele afirmou ainda que vai promover no Equador "uma verdadeira revolução democrática e constitucional, radical, profunda, com mudanças rápidas no modelo atual de exploração e injustiça".
A promessa de reforma constitucional, feita durante a campanha, ficou mais fácil de ser cumprida a partir da adesão ao projeto do partido Sociedad Patriotica, do presidente deposto Lucio Gutierrez, que tem 24 dos 100 membros do Congresso, que só tem uma casa.
O partido de Correa, Alianza País, não apresentou candidatos ao Congresso.