15 de janeiro, 2007 - 18h10 GMT (16h10 Brasília)
Milhares de hindus estão na cidade de Allahabad, nas margens do Rio Ganges, na Índia, para o ritual de purificação nas águas do rio.
As expectativas são de que 5 milhões de pessoas se lavem no Ganges até o fim da tarde desta segunda-feira durante o festival religioso Ardh Kumbh Mela.
Neste ano, a realização do ritual esteve ameaçada, depois que os sadhus – homens considerados santos por hindus – disseram que boicotariam o banho porque as águas do rio estão muito poluídas. Alguns chegaram a ameaçar o suicídio.
Em reação, as autoridades indianas abriram canais, diques e represas para "purificar" o Ganges antes do ritual.
Os sadhus lideram os fiéis para dentro do rio, ao som de tambores e cânticos religiosos. Muitos entram na água vestindo batas e carregam tridentes nas mãos.
Reincarnação
O ritual é baseado na crença de que tomar banho no Sangham - a confluência dos três rios sagrados, o Ganges, o Yamuna e o mítico Saraswati - purifica os pecados e interrompe o ciclo da reencarnação.
"A minha mente agora está totalmente pura, sem qualquer malícia, depois que vim para cá e me banhei", disse um fiel à BBC.
A realização anual dos banhos rituais e de oferendas levou ao acúmulo de toneladas de lixo no rio.
O Ardh Kumbh Mela, que neste ano começou no dia três de janeiro, reúne uma das maiores multidões do planeta, com até 60 milhões de hindus se deslocando para a região nos 45 dias do festival religioso.
Na mitologia hindu, deuses e demônios travaram uma batalha celestial por um receptáculo de néctar divino. A cidade de Allahabad teria sido uma das quatro cidades em que gotas do néctar teriam pingado.